Pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, publicaram um estudo no periódico acadêmico Intelligence, neste mês de junho, em que analisam as habilidades cognitivas de um grupo de pessoas e, em seguida, suas visões acerca do relacionamento homossexual. De acordo com o resultado, aqueles participantes com menores capacidades cognitivas - ou seja, considerados menos inteligentes de acordo com parâmetros previamente definidos - demonstraram nível maior de oposição às lutas pelas conquistas de direitos por pessoas LGBT.

Esse foi o primeiro estudo do tipo realizado fora do eixo Estados Unidos-Canadá, utilizando uma amostra de mais de 11 mil entrevistados, sendo feito entre os anos de 2012 e 2015 e envolvendo avaliações de 3 habilidades diferentes. Assim, os pesquisadores aplicaram o teste padronizado de leitura nacional para adultos, o teste de modalidade símbolo-dígito em versão oral, que mede a velocidade de processamento de informação, e o teste de memória com dígitos reversos.

Segundo Francisco Perales, coordenador da pesquisa e autor do artigo acadêmico, aqueles que apresentaram resultados inferiores nos referidos testes, em especial no que media habilidades de comunicação verbal, demonstraram uma tendência maior a discordar da afirmação de que casais homossexuais deveriam ter os mesmos direitos que casais heterossexuais.

Os resultados se repetiram mesmo quando comparados em recortes de acesso a educação formal e classe econômica.

Ainda de acordo com o autor, são poucas as pesquisas que, ao buscar relações entre cognição e preconceito, estão dirigidas especificamente para esses sentimentos direcionados ao movimento LGBT, sendo mais comum abordarem as minorias sociais em termos generalizados ou, ainda, voltando-se para o racismo e o preconceito contra minorias étnicas.

O artigo reforça aquilo que já vinha sendo sinalizado por outros estudos, embora seja preciso se atentar para o fato de que pessoas consideradas mais inteligentes não estejam isentas de apresentar e de reproduzir preconceitos, não sendo este tipo de pensamento uma exclusividade dos menos hábeis cognitivamente.

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LGBT

Além do mais, as razões para a existência da LGBTfobia são múltiplas e variam, inclusive, de cultura para cultura. A questão cognitiva deve ser vista apenas como uma parte de um problema muito mais amplo.

Na verdade, muito poucas pessoas não sentem alguma espécie de preconceito em relação a um grupo determinado de indivíduos e/ou comportamentos. No entanto, de acordo com um estudo de 2016, realizado por pesquisadores da Universidade de Nova Jersey, há uma relação inegável entre baixas capacidades cognitivas e o preconceito ou mesmo o ódio direcionados aos chamados "grupos-alvo" preferenciais, dentre os quais estão LGBTs, negros, muçulmanos etc.

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