O projeto "Pelo Fim da Excisão. Faço (p) Arte", lançado pelas valorosas Mulheres sem Fronteiras no último final de semana, está em sua terceira edição do prêmio 'Contra a Mutilação Genital Feminina - Mudar aGora o Futuro', que destacou-se e levou o segundo lugar muito merecidamente. A indicação veio através da Comissão pela Cidadania e Igualdade de Gênero (CIG).

O lançamento da campanha aconteceu no dia 1 de junho, dia em que se comemora o Dia Mundial da Criança, e deve seguir ativa até o dia 31 de julho, na comemoração do Dia Internacional das Mulheres Africanas. O objetivo do movimento é conscientizar mundialmente as pessoas sobre essa prática desumana, a excisão, e tentar extirpá-la.

Vários cartões foram distribuídos explicando todos os riscos e as consequências que essa prática pode trazer às meninas de todo mundo, mais especificamente no continente africanos.

Essa prática caracteriza-se como violação dos direitos das crianças mutiladas, além da violência de gênero também agride a integridade física e psicológica, limitando-as a um baixo desempenho sexual. Só em Portugal cerca de 1830 meninas até os 15 anos, passaram ou estão correndo o risco, da dor e constrangimento da mutilação genital. E por volta de 44 milhões de meninas no mundo todo deverão passar ainda pela excisão genital.

Mulheres que lutam pelo fim da Excisão no mundo

6 de fevereiro foi instituído em 2003 pelas Nações Unidas, como o Dia Internacional da Tolerância Zero Conta a Mutilação Genital Feminina.

Um ritual herdado de outras gerações e praticado em mais do 50 países sem cerimônias e sem levar em conta as graves consequências que traz a vida sexual e psicológica das mulheres.. Esse flagelo mundial atinge cerca 200 milhões de mulheres em todo continente.

Contudo, elas não estão sozinhas, três mulheres vêm lutando arduamente pelo fim desse ritual: Jaha Dukureh de 29 anos, ativista da Gâmbia, Africa. A jovem foi recentemente nomeada Embaixadora da Boa Vontade para as Nações Unidas e garante que sua luta será para o fim da MGF e do abominável casamento infantil no continente africano. Dukureh foi forçada a se casar aos 15 anos e nunca esqueceu o trauma.

Mariame Sakho, uma das deputadas mais influentes de sua comunidade Bakel, Senegal, trava uma luta ferrenha contra essa prática nefasta. A deputada conta que até os 19 anos ajudava sua mãe nessa prática e achava normal. "Também sofri de mutilação".

Fatmata Banguri aos 28 anos presenciou sua própria filha de 4 anos ser quase excisada e ficou chocada. Ela é de Serra Leoa e alegou não saber nada sobre o assunto, além de ser de família cristã. A tentativa veio por parte da família de seu marido, porém eles conseguiram impedir. A esperança dessas mulheres é que sua luta não seja em vão.