Uma descoberta realizada na África do Sul chamou a atenção do mundo: arqueólogos encontraram o desenho mais antigo da história da humanidade. A impressão no pedaço de rocha tem idade aproximada de 73 mil anos e teria sido feita durante o período da Idade da Pedra Média. É o que diz o estudo publicado na revista científica britânica Nature, nesta quarta-feira (12). Liderada pelo arqueólogo Christopher Henshilwood, a pesquisa foi desenvolvida nas Universidades de Bergen, na Noruega, e de Witwatersrand, na África do Sul.

O desenho em um pequeno pedaço de pedra (de 38,6 milímetros de altura por 12,8 milímetros de largura) foi encontrado na Caverna Blombos, na Reserva Natural Blombosfontein, que fica na costa sul de Cabo, na África do Sul.

O local era usado como abrigo por antigos caçadores-coletores que, ao que parece, também gostavam de desenhar.

Arte da Idade da Pedra?

A tinta vermelha usada para compor o desenho abstrato formado por seis linhas retas cruzadas por três outras linhas teria origem de pigmentos minerais. O formato, segundo a revista Nature, lembra o do que que conhecemos hoje como hashtag (#).

O artefato encontrado pelos arqueólogos [VIDEO] corrobora a teoria de que o Homo sapiens já possuía capacidades cognitivas modernas. "Todas essas descobertas demonstram que o Homo sapiens antigo no sul da África usou técnicas distintas para produzir símbolos similares em diferentes superfícies", disse Henshilwood.

Ainda de acordo com o pesquisador, a quebra abrupta das linhas do desenho mostra que ele provavelmente se estendia sobre uma maior superfície e era mais complexo e estruturado do que aparenta o pequeno pedaço de pedra.

Gravações em pedra mais antigas já foram descobertas por arqueólogos, como uma na Ilha de Java, com meio milhão de anos. Mas, segundo Henshilwood, o artefato encontrado recentemente em Blombos é o mais antigo desenho e disse que não hesitaria em chamá-lo de arte. Outros materiais de valor histórico já foram encontrados na mesma caverna, como contas de conchas e ferramentas.

Francesco d'Errico, outro membro da equipe, arqueólogo da Universidade de Bordeaux, na França, afirmou que as linhas do desenho remetem a padrões gravados em outros objetos encontrados naquele sítio arqueológico. "O sinal foi reproduzido com diferentes técnicas, em diferentes mídias", disse. Isto sugere que teve importância simbólica, embora o significado seja desconhecido.