Um homem e uma mulher dos Estados Unidos estão sendo processados por um sem-teto após terem lançado uma campanha online, que arrecadou mais de um milhão e meio de reais, para ajudá-lo a sair das ruas. Johnny Bobbitt, de 35 anos, disse que jamais viu a cor do dinheiro doado para ele na internet.

A relação do casal com o sem-teto iniciou-se em um momento de solidariedade do morador de rua. No fim de 2017, Bobbitt ofereceu o único dinheiro que tinha, cerca de 20 dólares, para ajudar Kate McClure, quando seu carro ficou sem gasolina no meio de uma rodovia e ela estava completamente sem dinheiro.

A mulher de 28 anos e Mark D'Amico, seu namorado, dedicaram-se então a criar uma campanha na internet para tentar retribuir o gesto bondoso de Bobbitt. Através do GoFundMe, um site de "vaquinha virtual", a campanha definiu como objetivo a arrecadação de 10 mil dólares para o morador de rua. Porém, após pouco menos de um ano de campanha, foram arrecadados quase 400 mil dólares, cerca de um milhão e seiscentos mil reais. Aproximadamente 14 mil americanos já doaram para a "vaquinha".

Entretanto, o ato aparentemente bondoso do casal acabou se transformando em uma série de acusações de ambas as partes, indo parar na Justiça.

Segundo os defensores do sem-teto, o casal, Kate McClure e Mark D'Amico, usou o dinheiro doado pelas pessoas para viver uma vida luxuosa que os dois não poderiam bancar. O processo será analisado pela Justiça de Mount Holly, em Nova Jersey.

Bobbitt tem declarado que o casal comprou recentemente uma BMW e tem viajado pelos Estados Unidos com o dinheiro das doações. Segundo meios de comunicação dos Estados Unidos, Kate é recepcionista no departamento de Transporte de Nova Jersey e Mark atua como carpinteiro.

Na última semana, Kate McClure afirmou a um jornal da Filadélfia que estava se sentindo traída e frustrada com toda a situação, mas que ainda gostaria de ajudar Bobbitt.

Desavenças

Após o objetivo inicial da campanha ser alcançado, o casal declarou que eles iriam contratar um advogado e um consultor financeiro para Bobbitt, além de criar dois fundos para auxiliá-lo na administração do dinheiro.

Segundo, McClure e D'Amico, Bobbitt comprou um trailer e começou a viver ao lado da casa do casal.

Porém, após o homem gastar cerca de 100 mil reais com drogas em menos de 15 dias, eles decidiram pedir que ele se mudasse com o trailer de seu quintal.

Em contrapartida, Bobbitt alega que o casal vendeu seu trailer para apostar em cassinos e se recusam a apresentar os comprovantes de onde o dinheiro foi usado.

Para a rede de televisão NBC, Mark D'Amico afirmou ter dado autorização para que um contador verifique onde o dinheiro foi usado e o quanto ainda está disponível. Segundo ele, todo o dinheiro que Johnny pôs a mão foi gasto em drogas.

Johnny Bobbit, que é ex-militar, acabou voltando para as ruas, onde vive com um irmão, após toda a confusão.

De acordo com ele, é mais fácil comprar drogas pedindo dinheiro nas ruas do que colocar as mãos no dinheiro doado na campanha para ajudá-lo.

O que ainda não foi gasto

Jacqueline Promislo, que cuida da defesa de Bobbitt, afirmou que não cobra nada para defender o sem-teto, e que tenta apenas ajudá-lo a ter acesso a doação das pessoas que desejavam que ele saísse das ruas.

De acordo com Jacqueline, cerca de 150 mil dólares do dinheiro arrecadado ainda não foi gasto. Segundo ela, não é o casal quem deve decidir como os recursos devem ser usados.

Um representante do site GoFundMe afirmou que a plataforma avalia as acusações quanto ao uso indevido do dinheiro doado pelas pessoas e que irão trabalhar para que Bobbitt tenha acesso a ajuda que milhares de pessoas destinaram a ele.

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