Cuba sofrerá um prejuízo estimado em 332 milhões de dólares, algo em torno de 1,1 bilhão de reais por ano, pela cotação do dólar nesse momento. Um prejuízo considerável para a economia da ilha do Caribe. O valor supera até mesmo a exportação de charuto, que alcança os 259 milhões de dólares por ano, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

A perda dessa fonte que o Mais Médicos gerava aos cofres de Cuba vai impactar significativamente na economia caribenha que sofre, há 56 anos, com embargo comercial imposto pelo Estados Unidos da América.

Publicidade
Publicidade

Um exemplo: O envio de profissionais médicos cubanos para o exterior rende muito mais que os tradicionais produtos de exportação produzidos pela ilha. Entre estes incluem o açúcar, o níquel, o rum e o tabaco. A exportação de médicos cubanos para o exterior rende a Cuba 11 bilhões de dólares por ano. Enquanto que, todas as exportações de bens e serviços rende à economia cubana 14 bilhões de dólares, de acordo com a Organização Mundial do Comércio e da própria empresa estatal cubana responsável por contratar os serviços.

Mauricio de Miranda Parrondo, economista cubano e professor titular da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali, na Colúmbia, também reconhece que Cuba sofrerá esses impactos na sua economia.

O turismo poderia compensar a economia cubana com a perda de renda do Mais Médicos

O turismo cubano teria que crescer 10% para cobrir essa perda econômica que o país irá sofrer com a saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médico do Brasil. Com as últimas sanções imposta pelo EUA, parece algo impossível de acontecer, ponderam os especialistas.

Publicidade

Os produtos tradicionais de exportação de Cuba, como o açúcar e o níquel, têm acompanhado suas indústrias que vêm passando por crises nos últimos anos. Cerca de 2,8 bilhões de dólares ao ano são contabilizados oriundos do turismo em Cuba. Mas a política externa praticada pelo presidente americano Donald Trump incluiu, nesta última sexta feira (16), os hotéis cubanos na lista de empresas da ilha as quais os americanos não podem se relacionar comercialmente.

O afastamento diplomático entre Brasil e Cuba agradou o Governo americano. A Casa Branca chegou a parabenizar Bolsonaro por essa decisão, dizendo que o governo cubano viola os direitos humanos de seu povo. E, em resposta, Bolsonaro disse que não poderia compactuar com a situação dos médicos cubanos aqui no Brasil, porque o modo como o Programa Mais Médicos é conduzido seria uma maneira de mascarar trabalho escravo, nas palavras do presidente eleito.

Publicidade

Vale lembrar que parte dos salários dos médicos cubanos que clinicavam aqui no Brasil era destinada ao governo de Cuba (o custeio girava em torno dos R$ 11 mil por cada médico, onde R$ 3 mil era repassado ao profissional enquanto os outros R$ 7 mil ao governo cubano como forma de pagamento pelo serviço ofertado). Em alguns países, no entanto, o governo cubano arca com os valores, sem cobrança monetária de países em crise, como o caso de nações do continente africano, leste asiático e Oriente Médio.

Publicidade

Leia tudo