O executivo franco brasileiro Carlos Ghosn , presidente do Conselho da Renault-Nissan, foi detido nesta segunda-feira [VIDEO] (19), por autoridades japonesas sob a acusação de fraude fiscal. As informações foram publicadas primeiramente pelo jornal Yomiuri e as ações do grupo despencaram 13%, enquanto as ações da Nissan já haviam parado de serem negociadas. Atualmente, ele preside a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

As autoridades do país nipônico iniciaram as investigações após suspeitas, dando conta de que o brasileiro, de 63 anos, subestimou seus rendimentos ao declarar seus impostos.

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O fato surpreendeu os analistas, uma vez que Ghosn é muito bem avaliado no mundo e conseguiu recuperar a Nissan da ameaça de falência.

Também nesta segunda-feira, a Nissan emitiu um comunicado onde dizia que já investigava há alguns meses possíveis práticas impróprias de Ghosn e também do diretor Greg Kelly.

A montadora ainda diz que o franco-brasileiro usou ativos da empresa para uso pessoal. Além disso, ele está sob investigação após ter violado as leis financeiras do Japão.

A nota diz ainda que a empresa está colaborando com as autoridades nipônicas nas investigações e também estuda retirar o executivo do conselho. “A Nissan está fornecendo informação aos promotores públicos e está cooperando com as investigações”, disse a nota.

O portal Auto Esporte entrou em contato com o Ministério Público do Distrito de Tóquio, porém o órgão não quis se manifestar sobre o caso.

Quem é Carlos Ghosn

Descendente de libaneses e cidadão francês, Carlos Ghosn nasceu na cidade Porto Velho, Rondônia. Já vivendo na França [VIDEO], começou a trabalhar na fabricante de pneus Michelin depois ingressou na Renault.

Em 1999 foi enviado para o Japão para reestruturar a Nissan, depois que a montadora japonesa foi adquirida pelos franceses, nomeado a CEO dois anos depois. No período em que lá esteve, ganhou o apelido de “cost kille” (o cortador de custos) e transforou uma companhia que estava prestes a fechar as portas – acumulava dívidas na ordem dos 20 bilhões de dólares -, em uma empresa rentável, que chegou a ter faturamento anual em vendas na casa dos 100 bilhões de euros.

Ele ocupou o cargo até abril do ano passado, quando passou a chefiar a parceira com das montadoras com Mitsubishi, empresa que estava atolada em um escândalo financeiro e à beira da falência. Dentre os escândalos, estava a confissão, por parte da empresa, de não usar testes homologados no Japão há mais de duas décadas.