Nesta quarta-feira (12), o Papa Francisco afastou dois cardeais que integravam o C9, o círculo de conselhos interno do pontífice. A decisão foi tomada após o escândalo envolvendo denúncias de abuso sexual relacionadas aos afastados. Os cardeais são George Pell, da Austrália, e Francisco Javier Errazuriz, do Chile.

A dispensa dos religiosos foi anunciada em outubro após o Papa escrever uma carta avisando os dois do ocorrido e agradecendo pelo serviços prestados à Santa Sé.

Os acusados e os crimes

George Pell, de 77 anos, era o terceiro oficial mais poderoso do Vaticano e foi acusado de abusar sexualmente de dois meninos de coro em meados dos anos 90, de acordo com as testemunhas que estão providenciando informações sobre o caso.

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Após três dias de deliberação, as informações sobre o julgamento de Pell finalmente vieram a público. Francisco tinha afastado o religioso por um período previsto de 18 meses, para que ele pudesse se defender das acusações, prazo que foi interrompido graças ao afastamento de Pell.

O cardeal conta com uma equipe cara de advogados de defesa, entre eles Robert Richter, que cobra US$11,000 pela diária de trabalho. O advogado possui um histórico de conhecido e já atuou em defesa de figuras do submundo acusadas de assassinato e até réus que respondiam por crime de estupro.

Por conta dessa escolha a suspeita de que o religioso possa de fato ter cometido os crimes aumenta.

Já Francisco Javier Errazuriz, de 85 anos, responde a acusação de ter sido cúmplice em outro crime. O cardeal teria ajudado a acobertar casos antigos de abuso sexual infantil enquanto servia como arcebispo em Santiago, acusações que ele nega.

Errazuriz também é acusado de utilizar sua posição no C9 para fazer com que o Papa tomasse partido de um padre acusado por crimes de pedofilia, algo que complicou a viagem do pontífice ao Chile neste ano. Diferente de Pell, o chileno anunciou por conta própria sua saída do ciclo de conselheiros do Papa.

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A outra renúncia

Além dos dois cardeais, Laurent Monsengwo, do Congo, também anunciou sua saída do C9. O religioso de 79 anos deixará seu posto como arcebispo Kinshasha, local em que sua figura foi de extrema importância para a cena política da República Democrática do Congo.

A saída de Monsengwo, entretanto, se dá por conta de sua aposentadoria e não possuí nenhuma ligação com algum escândalo.

Com isso o C9 deve se reunir em breve para preencher os três desfalques recentes.