O jornal El Nacional, um dos mais tradicionais da Venezuela, publicou no dia 14 de dezembro a sua última edição impressa. O objetivo do jornal é dar continuidade com trabalhos digitais, pois até onde foi possível, driblou o regime do ditador Nícolas Maduro. El Nacional é oposição ao governo venezuelano.

O diretor do jornal, Michel Henrique Otero, disse que foram até o limite para driblar pressões do regime e chegaram até onde foi possível. As falas foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Otero teve que se exilar, primeiramente nos Estados Unidos e posteriormente na Espanha, após ter reproduzido uma publicação do jornal espanhol ABC, no qual relacionava o chavismo ao narcotráfico. Com isso, acabou sendo processado por Diosdado Cabello, vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, o PSUV.

Em entrevista por telefone à Folha, Otero enfatizou que o regime de Maduro está fragmentado por dentro. O setor das Forças Armadas começou a se rebelar e no momento há cerca de 250 oficiais, tanto do médio quanto do alto escalão, que estão presos no país.

Otero salientou que na Niguaraguá e em Cuba isso não existe, dando abertura para que ocorra um problema imenso para Maduro. A Venezuela vive grave crise Política e econômica, estando em situação caótica.

Caso os militares continuem se rebelando e abandonando o regime, as chances de Nícolas Maduro continuar na liderança diminuem. O diretor de publicação do El Nacional também comemorou a vitória de Jair Bolsonaro no governo brasileiro e de Ivan Duque, na Colômbia. Com isso, a situação de Maduro se complica ainda mais, pois, ao que tudo indica, os novos presidentes dos países vizinhos poderão ser mais "duros" com o líder da Venezuela.

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Pressão internacional

Otero acredita que a saída de venezuelanos do país pode significar pressão internacional para a melhora da situação. Ele sinaliza que brevemente serão 5 ou 6 milhões de venezuelanos que poderão desestabilizar todos.

Outro ponto conversado foi sobre a energia da população para caminhar nas ruas contra o atual regime. Otero diz que, conforme a forte repressão, isso tende a não ocorrer, porém seria natural devido à grave situação. Otero diz que as manifestações atuais são pontuais.

Por exemplo, a população se rebelar sobre coisas básicas, que seriam a falta de água e gás. Mesmo assim, isso já causa entraves no governo de Maduro.