Altas patentes militares da Grécia proferiram uma coletânea de avisos duríssimos contra o Governo do presidente da Turquia Recep Tayep Erdogan, afirmando categoricamente que os gregos esmagarão as tropas turcas se resolverem pousar em qualquer pequena ilha alvo de disputa entre ambos os países no Mar Egeu.

Por sua vez, Ancara também não economizou nas palavras, o que é algo comum há séculos quando envolve os dois povos com suas diferenças históricas.

Grécia adverte a Turquia sobre a invasão do seu território

Panos Kammenos, que é o Ministro de Defesa da Grécia, sinalizou que a Turquia terá de pagar um preço pelas violações sucessivas do espaço aéreo grego por meio de caças de combate turcos que sobrevoam vez após vez o espaço aéreo grego sobre o mar Egeu.

Kammenos completou dizendo que os gregos e o seu governo em Atenas querem a paz, mas caso os militares turcos façam um movimento mínimo de ameaça a soberania grega, eles (os turcos) serão esmagados, uma vez que a Grécia não dará um centímetro sequer de seu território.

O parlamentar grego falou tal discurso enquanto visitava um posto militar na diminuta ilha grega de Leros, no mar Egeu, o que talvez possa justificar as suas palavras de guerra, como sendo um fator de motivação para elevar o moral das tropas sediadas na ilha.

Por outro lado, Evangelos Apostolakis, almirante e também chefe do Estado-Maior Geral Helênico, fez questão de reforçar todas as palavras do ministro de Defesa grego.

Tanto é assim, que Apostolakis frisou que se os turcos ousarem pousar em alguma pequena ilha de rochas do Egeu, eles serão derrubados ao chão pelos militares da Grécia, até mesmo por que a região em si é uma linha vermelha conforme classificada por Atenas.

Evangelos disse ainda que existe uma possibilidade clara de confronto entre gregos e turcos; entretanto, o militar disse que a Grécia, em conjunto com os Estados Unidos e com a União Europeia, quer acima de tudo evitar que o governo da Turquia chegue a esse ponto.

As palavras duras das autoridades gregas foram ditas depois que dois aviões turcos F-16 sobrevoaram sem permissão na última quinta-feira (20) a ilha de Kastellorizo (grande fonte de divisas no Turismo para a Grécia), que fica na região Leste do Egeu, fato esse que ocorreu poucos minutos após um um helicóptero que transportava Panos Kammenos, rumar para Atenas.

Independente da causa ser fronteiras terrestres ou marítimas, gregos e turcos já foram à guerra e até o período moderno não conseguiram travar um acordo de paz totalmente absoluto.

Resposta da Turquia aos gregos

Hulusi Akar, general chefe do Estado-Maior turco, adiantou que o seu país não deixará que ocorra a consumação de qualquer fato por parte dos gregos, seja no Egeu ou na porção maior do Mar Mediterrâneo.

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Não existem meios da Turquia recuar do que Akar classificou como direitos do povo turco.

A Grécia e a Turquia, como que por ironia política, são países aliados da OTAN, mas Grécia e a Turquia partilham de uma relação histórica extremamente desagradável. Para se ter uma ideia a República Turca moderna foi fundada depois da guerra sangrenta da Ásia Menor, onde turcos se confrontaram com os gregos e algumas outras potências do Ocidente em 1923.

As ações hostis entre Atenas e Ancara conseguiram se perpetuar com o passar das décadas, alcançando o seu ápice com a crise de Chipre, que foi quando quase houve a deflagração de uma guerra em larga escala após a invasão do Norte da ilha por tropas turcas em 1974.

Aliás o governo turco-cipriota só é reconhecido oficialmente por Ancara e mais nenhum outro país.

Nos tempos atuais gregos e turcos levam a cabo uma série de disputas sobre o Egeu, já que aquela parte do mar é salpicada de dezenas de ilhotas, o que dificulta a marcação de fronteiras marítimas das duas nações. Tanto é assim que frequentemente ocorrem confrontos entre os navios de guerra gregos e turcos, isso no transcorrer dos últimos anos, além muitos encontros belicosos em pleno ar de jatos da Grécia e da Turquia.

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