Ele tinha apenas dois anos de idade quando seu pai o atirou em um forno acesso, das cinzas ele afirma que renasceu, sobreviveu, aprendeu a superar as adversidades e a perdoar. De acordo com o documentário produzido sobre a experiência traumática do jovem, esta é a história de vida de Lyosha, que hoje tem 16 anos. A batalha pela sobrevivência e aceitação do jovem foi contada através das lentes do fotógrafo e documentarista russo Pavel Volkov em reportagem publicada pela BBC.

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Jogado ao fogo

Lyosha é natural um vilarejo humilde no leste da Sibéria, localizada na Rússia. Em 2005, quando ele tinha apenas 2 anos de idade sua vida mudou para sempre. O pai do garotinho havia bebido muito na comemoração do Réveillon e, durante um surto provocado pelo álcool, ele jogou os dois filhos em um grande forno acesso. O irmão de Lyosha, de apenas um ano, morreu queimado e ele foi salvo por sua mãe.

O menino ficou gravemente ferido, sofreu queimaduras nos braços, ombros, rosto, mãos, cabeça e pulmão e mesmo assim sobreviveu.

Após o acidente, o garoto foi retirado do vilarejo conhecido como Buriácia, onde vivia com sua mãe, ele precisa de um tratamento especializado e ela não tinha condições de oferecê-lo ao filho. Ele foi levado para Moscou, capital da Rússia, e acolhido por uma família que assumiu o compromisso de lhe dar todo o suporte necessário para a sua recuperação.

A longa jornada para se recuperar

Lyosha precisou de mais de 10 anos para se recuperar, ele passou a infância entrando e saindo de clínicas, passando por cirurgias, enxertos de pele, fisioterapia, entre outros procedimentos.

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Ele revela que já viajou para vários países para dar continuidade ao tratamento, entre eles Suíça, Estados Unidos, Alemanha, França e Lituânia. Pavel Volkov diz que é até difícil imaginar tudo o que o jovem já passou e as dificuldades enfrentadas por ele quando criança, como por exemplo, frequentar a escola com suas cicatrizes, até mesmo porque "crianças e adultos podem ser muito cruéis", afirmou.

Rejeição

O adolescente revelou que durante um bom tempo odiava as pessoas, sentia-se rejeitado, parecia que todos o viam como um animal.

Com o passar do tempo ele tomou gosto pela psicologia, começou a entender melhor as coisas e o ódio que sentia aos poucos foi se desfazendo, ele conta que se despediu da raiva que sentia e a deixou partir.

Superação e perdão

O estudante, que vive em Moscou, sabe que sua aparência chama muito a atenção e que causa medo ou curiosidade nas pessoas, mas já aprendeu a conviver com essa realidade e até chega a brincar com a situação. "Olha, minha pele é como a areia da praia", ri Lyosha.

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Recentemente, o seu pai biológico deixou a prisão. Ao ser questionado se ele o perdoou, Lyosha fala com serenidade e revela que seu perdão já foi dado ao seu progenitor há muito tempo. Ele mantém contato com o pai, diz que eles conversam como pessoas normais e que ele é o mesmo homem que o jogou no forno em chamas e afirmou, "eu nunca o odiei".

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