A vida imita a arte. Quem não lembra do filme "A Orfã" (2009), estrelado por Vera Farmiga, Isabelle Fuhrman e Peter Sarsgaard, onde um casal adota uma menina de 9 anos num convento de freira num país do leste europeu. A criança, na verdade tinha 33 anos, sofria de um problema hormonal e não crescia conforme a idade. Aparentemente dócil, a criança mostra-se depois uma sociopata fria, que tenta matar a nova família. Esse filme, do diretor Jaume Collet-Serra, foi baseado numa história real de uma Mulher chamada Barbora Skrlová.

Pois é, esse mesmo caso teria se repetido de maneira muito semelhante.

Os norte-americanos Kristine Barnett e Michael Barnett adotaram a "pequena" Natalia Grace Barnett num orfanato na Ucrânia em 2010 e a levaram para Indiana (EUA), onde moravam. O orfanato informou que a criança tinha cerca de seis anos de idade e que ela sofria de uma espécie de nanismo, ou seja, tinha problemas de crescimento. Três anos depois, seus pais a deixaram na casa nos EUA e se mudaram com seus dois filhos biológicos para o Canadá, alegando que a menina era uma adulta anã com bem mais idade que aparentava e violenta.

Agora, seus novos pais adotivos, religiosos, afirmam que ela é apenas uma criança e desmentem o casal anterior, segundo noticiou quinta-feira (7) o jornal inglês Daily Mail.

Pais dizem que filha tentou matá-los

Kristinie e Barnett insistem que a criança tinha na verdade 22 anos e que teria tentado matar a família na época em que eles a abandonaram. Os pais adotivos conseguiram mudar a data do nascimento de Natália —que tinha epenas 1,5 m de altura e dificuldades para andar— de 2003 para 1989, recorrendo à Corte Suprema.

Eles repararam que a menina tinha um jeito de falar muito adulto, menstruava, não gostava de bonecas nem brinquedos e parecia inteligente demais para a idade quando ela já estava com "nove" anos. Segundo os pais, a menina tinha comportamentos agressivos e ameaçou esfaqueá-los enquanto eles dormiam. Também havia tentado jogar Kristine numa cerca elétrica. E ao ser levada numa consulta médica, ainda segundo os pais adotivos, ela confessou ser mais velha.

Michael (45 anos) e Kristine (43 anos) foram intimados pela Justiça americana a responder criminalmente por abandono de menor. No último dia 27 de setembro, o casal, que hoje está separado, foi inocentado das acusações. E a menina teria hoje, segundo eles, 30 anos. Entretanto, em janeiro de 2020 ocorrerá a audiência final sobre o caso, com júri popular.

Foi adotada de novo

O jornal Daily Mail revelou em setembro que Natália vive agora com uma nova família adotiva, no estado de Indiana. O casal Antwon Mans e Cynthia Mans, são pastores e têm outros cinco filhos. Os novos pais disseram, em nova entrevista ao jornal, nesta quinta-feira (7), que a jovem tem 16 anos e admitem que ela sofre de uma espécie rara de nanismo.

Não se importam com a acusação dos pais anteriores que seria uma sociopata. Ao contrário, afirmaram que decidiram adotá-la por ser uma criança "doce" e abandonada.

No dia 7 de novembro um programa norte-americano de TV comandado pelo Dr. Phil McGraw apresentou a entrevista na íntegra com a polêmica garota. Ela nega as acusações de seus pais adotivos. Ao ser questionada pelo Dr. Phill se ela seria uma anã adulta psicopata, caiu na risada. E afirmou: "eu tenho 16 anos. Nasci no dia 4 de setembro de 2003". Disse ainda ter nanismo, um tipo chamado Displasia Diastrófica juntamente com escoliose. E confessou que já viveu com mais de 30 famílias adotivas e tinha se sentido segura com Kristine e Michael, mas que depois do "abandono" se sentiu insegura e que seus pais adotivos merecem pagar na Justiça o que fizeram.

Mãe biológica defende a filha

Para completar o mistério, a mãe biológica de Natália, a ucraniana Anna Volodymyrivna Gava, de 40 anos, diz que sua filha nasceu em 2003. "Os médicos me disseram: abandone o bebê, não estrague sua vida", justificou Ana, dizendo que o diagnóstico médico informava que o bebê nunca ficaria bem e não conseguiria andar. Entretanto, muitas datas não batem nessa história.

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