O memorial do antigo campo de Ravensbrück, um campo de concentração nazista localizado há 80 quilômetros de Berlim, realizou uma exposição que aborda o trabalho das guardas femininas em prol da ideologia do Terceiro Reich e as atrocidades cometidas por elas. Detalhes da exposição foram divulgados pelo jornalista Marcel Fürstenau, da Deutsche Welle.

Maria Mandl, chefe da guarda no campo de concentração feminino de Ravensbrück, é vista como alguém fria, com sentimentos relacionados a empatia inexistentes e estranhos. Pouquíssimas mulheres foram julgadas por seus crimes em campos de concentração no decorrer dos anos, enquanto o último homem ligado ao nazismo capaz de responder juridicamente teve seu julgamento realizado no mês passado.

Maria Mandl

A chefe de guarda Mariam Mandl morreu jovem, com apenas 36 anos. Maria foi condenada à pena de morte como criminosa de guerra em Cracóvia, na Polônia, no ano de 1948, e morreu na forca. Instantes antes de sua morte, Maria alegou que nada de ruim nos campos de concentração poderia ser encontrado.

A exposição mostra a cruel trajetória de Mandl em sua carreira de chefe de guarda. A falta de sentimentos empáticos era considerada pela raça ariana como uma grande qualidade, pois os alemães escolhiam como guardiãs dos campos de concentração feminino as mulheres consideradas mais impiedosas e leais.

A frieza de Mandl é uma das características dos encarregados de altos cargos no regime nazista.

No ano de 1942, Maria foi transferida de Ravensbrück para o campo de extermínio de Auschwitz. Sua personalidade perversa fez com ela montasse uma orquestra com meninas, e a partir daí as execuções e transportes de prisoneiros passaram a ser realizadas com trilha sonora. As meninas que formavam a Mädchenorchester eram obrigadas a tocar durante atos terríveis.

Crueldade

Maria Mandl é considerada um dos nomes mais terríveis e cruéis entre as 3.300 mulheres treinadas para o cargo de guardas no campo de concentração em Ravensbrück. O local que era usado para recrutar e treinar novas mulheres ficava 80 quilômetros a norte de Berlim e era lá que as guardas eram treinadas para executar trabalhos brutais.

Muitas das mulheres que eram guardas de Ravensbrück se candidatavam voluntariamente para o serviço.

Im Gefolge der SS (Na esteira da SS)

A exposição foi nomeada como "Im Gefolge der SS", devido à atribuição de SS (Schutzstaffel) a coordenar e comandar o campo de treinamentos. Em 1940, quando a Segunda Guerra já havia iniciado, a unidade de elite SS foi escolhida para supervisionar as novas guardas.

A exposição aconteceu pela primeira vez em 2004 e nesta edição aparece atualizada. O local onde acontece a exposição também é considerado um marco histórico, pois se trata de uma casa onde moravam as guardas. As vítimas do holocausto que estavam neste campo eram mulheres adolescentes e crianças que eram separadas de suas torturadoras apenas por um muro.

O campo de Ravensbrück teve pelo menos 140 mil prisioneiros durante o período de 1939 a 1945.

Torturas

A exposição mostra o tipo de tortura ao que os prisioneiros eram submetidos, apresentando inclusive entrevistas de testemunhas e sobreviventes.

Uma das entrevistadas conta que Maria Mandl agrediu violentamente uma idosa e outra prisioneira tentou intervir sendo encaminhada a um bunker onde permaneceu presa por meses e sendo estapeada diariamente. Ao contrário de Madl, existiam também guardas que eram consideradas mais humanas, uma delas Henryka Stanecka, também polonesa, permitia que as prisioneiras se lavassem em um lago após um longo dia de trabalhos pesados, e por vezes lhes oferecia inclusive toalhas.

Após 75 anos da liberação das prisioneiras no campo de concentração, um promotor público afirma que tais acontecimentos fazem parte da história.

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