O mundo das notícias é complexo, e histórias e imagens falsas costumam ser amplamente compartilhadas nas redes sociais. A segunda onda da pandemia está atingindo países como o Reino Unido, Alemanha, Espanha e França. Nestes tempos desafiadores, teorias da conspiração e informações falsas correm soltas. É por isso que a equipe editorial da Blasting News identifica boatos virais e desinformação todas as semanas, para ajudá-lo a entender o que é verdade e o que é mentira. Aqui estão alguns dos boatos falsos mais compartilhados da semana.

ALEMANHA/FRANÇA

Alegação: Estudante alemã morre devido ao uso obrigatório de máscara de proteção

Fatos: A deputada de direita alemã Birgit Malsack-Winkemann questionou recentemente em suas redes sociais a morte de uma estudante do país. Ela se perguntou se esta não seria a "primeira morte pelo uso de máscara" e pediu para "parar com essa loucura".

Após esta publicação, seguiram-se manchetes com títulos como: "Trágico: estudante de 13 anos morre na Alemanha supostamente devido à obrigatoriedade do uso de máscara", publicado no site do poeta francês Guy Boulliane.

Verdade: No último dia 7 de setembro, uma garota alemã morreu após desembarcar do ônibus escolar. Os primeiros resultados da autópsia não forneceram respostas claras. Os especialistas investigaram se a menina tinha algum problema de saúde preexistente, mas o uso da máscara não foi citado como uma possível causa, diz o jornal francês Le Monde.

Os efeitos colaterais do uso das máscaras de proteção são conhecidos por serem limitados a problemas dermatológicos, conjuntivite e dores de cabeça, como relata o Le Monde. No entanto, nenhum deles é fatal. Birgit Malsack-Winkemann foi convidada pelo líder regional de seu partido, Uwe Junge, a deletar a postagem e se desculpar pelo episódio.

FRANÇA

Alegação: Pandemia acabou na França

Fatos: A imagem de um comunicado francês foi amplamente compartilhada nas redes sociais.

O título do texto diz: "A epidemia acabou!". O documento apoia sua afirmação com um gráfico de hospitalizações diárias e adiciona citações de médicos da mídia, como "não temos uma epidemia infecciosa, temos uma epidemia de ansiedade".

Verdade: Como relata o Le Monde, o gráfico está desatualizado, pois mostra dados do final de agosto. Portanto, não representa a situação atual. No último dia 22 de setembro, novas hospitalizações, internações em terapia intensiva e novas mortes mostram um crescimento considerável da pandemia na França, ainda segundo o Le Monde.

EUA

Alegação: Registro anual de mortes mostra 2020 com uma das taxas mais baixas dos últimos anos

Fatos: Uma captura de tela de um site de pesquisa de dados chamado Macrotrends publicou um registro anual de mortes que mostra 2020 como tendo uma das taxas mais baixas dos últimos 70 anos, sem contar o período entre 2016 e 2019.

Verdade: Os dados são de um estudo feito em 2019, antes da pandemia, pela Macrotrends. Na página oficial, um aviso parece declarar que esses dados não contabilizam as mortes de Covid-19, como afirma a agência Reuters. Esse registro é uma projeção baseada em dados de anos anteriores, antes que a pandemia atingisse o mundo. Portanto, não é representativo da taxa de mortalidade atual.

REINO UNIDO

Alegação: Teste de Covid-19 no Reino Unido está ligado à legislação de dados biométricos

Fatos: Publicações compartilhadas no Facebook e no Twitter afirmam que os testes de Covid-19 no Reino Unido são parte de uma conspiração para coletar dados biométricos das pessoas.

Algumas das postagens trazem uma captura de tela do site oficial do governo britânico com a imagem de uma nova lei intitulada "O Coronavírus (Retenção de Impressões Digitais e Perfis de DNA no Interesse da Segurança Nacional) (Nº 2) Regulamentos 2020".

Verdade: Segundo informações do Ministério do Interior britânico, publicadas pela agência Reuters, a lei à qual as postagens se referem dizem respeito à ampliação dos prazos de retenção de dados biométricos mantidos pelo serviço de combate ao terrorismo para fins de segurança nacional. Não há, portanto, nenhuma relação entre a lei em questão e os testes de Covid-19.

RÚSSIA / INDONÉSIA

Alegação: 200 corpos de vítimas do coronavírus foram jogados em caminhão de lixo na Rússia

Fatos: Vídeo compartilhado milhares de vezes no Facebook e no Twitter alega mostrar os corpos de 200 vítimas do coronavírus sendo jogados em um caminhão de lixo na Rússia.

Verdade: Segundo informações da AFP Fact Check, uma busca reversa das imagens encontrou um vídeo semelhante, filmado de um ângulo diferente, postado pelo site russo Mash no Facebook no último dia 4 de setembro. A legenda da publicação diz: "Cenas incríveis hoje no Instituto Clínico M. Vladimirsky (MONIKI), em Moscou. Os pedestres pensaram que alguém estava roubando cadáveres do necrotério local, mas tudo acabou sendo muito menos assustador. Estava ocorrendo a filmagem de videoclipe". A emissora russa REN TV também publicou uma reportagem sobre o tema e esclareceu que as filmagens faziam parte de um novo clipe do rapper Husky.

ESPANHA

Alegação: ONU admitiu que "vacina de Bill Gates" está causando surto de pólio na África

Fatos: Publicações que circulam no Facebook afirmam que uma "vacina de Bill Gates" causou um surto de poliomielite na África.

Os posts afirmam ainda que esta informação teria sido confirmada pela ONU.

Verdade: Segundo a OMS, quando alguém recebe uma vacina oral contra a poliomielite, os restos do patógeno são excretados nas fezes. Caso não haja um bom saneamento na área onde ocorreu a vacinação, o vírus da vacina pode se espalhar entre a população antes de morrer. De acordo com informações da agência espanhola de checagem de fatos Newtral, a OMS reconhece que entre março e abril deste ano dois casos isolados de poliovírus circulante de origem da vacina (cVDPV) ocorreram no Sudão, em uma criança de 3 e outra de 4 anos, causando paralisia em ambas. O episódio, no entanto, não representa um surto, como alegado nas postagens nas redes sociais, muito menos tem alguma relação direta com o bilionário e filantropo americano Bill Gates.

AMÉRICA LATINA

Alegação: Pandemia da Covid-19 não chegou a Xangai ou Pequim

Fatos: Uma publicação compartilhada no Facebook afirma que o novo coronavírus "viajou milhares de quilômetros de Wuhan" para cidades como Milão, Nova York e São Paulo, mas não teria chegado a Pequim ou Xangai, as duas metrópoles mais importantes da China.

Verdade: Segundo informações do serviço de checagem de fatos do jornal peruano La República, a afirmação é falsa. Dados da Universidade Johns Hopkins mostram que mais de 900 casos e 7 mortes foram registrados em Xangai, enquanto Pequim teve mais de 900 casos confirmados e 9 mortes.

EUA

Alegação: Palavras finais de Steve Jobs foram um ensaio sobre riqueza

Fatos: Um ensaio foi compartilhado nas redes sociais sobre a riqueza e o significado da vida.

A autoria da mensagem foi atribuída ao cofundador e ex-presidente-executivo da Apple Steve Jobs, que teria dito tais palavras pouco antes de morrer, em 5 de outubro de 2011. O primeiro parágrafo do texto diz: "A outros olhos, minha vida é a essência do sucesso, mas, além do trabalho, tenho um pouco de alegria e, no final das contas, a riqueza é apenas um fato da vida ao qual estou acostumado. Neste momento, deitado na cama, doente e lembrando de toda a minha vida, eu percebo que todo o meu reconhecimento e riqueza não têm sentido diante da morte iminente".

Verdade: Como relata a Reuters, não há evidências de que Steve Jobs disse essas palavras. Além disso, a irmã de Jobs, Mona Simpson, compartilhou suas últimas palavras durante um discurso que fez em 16 de outubro de 2011: "as palavras finais de Steve, horas antes, foram monossílabos, repetidos três vezes.

Antes de embarcar, ele olhou para sua irmã Patty, depois por um longo tempo para seus filhos, em seguida, para a parceira de sua vida, Laurene, e depois sobre os ombros deles. As palavras finais de Steve foram: OH WOW. OH WOW. OH WOW".

EUA

Alegação: Kamala Harris promoveu armas dizendo "eu gosto de sacar as armas mais cedo"

Fatos: Vários posts nas redes sociais afirmam que a senadora dos EUA e candidata democrata à vice-presidência, Kamala Harris, disse: "Saque as armas primeiro. Passe pelo devido processo depois, eu gosto de sacar as armas mais cedo".

Verdade: Segundo informações da Reuters, esta citação foi atribuída incorretamente, já que o presidente americano Donald Trump disse isso, e não Kamala Harris.

Trump disse essas palavras em fevereiro de 2018, durante uma discussão na Casa Branca sobre o controle de armas após o tiroteio na Stoneman Douglas High School, que matou 17 pessoas em Parkland, na Flórida. Kamala Harris, por sua vez, prometeu quando foi candidata presidencial, em abril de 2019, dar ao Congresso 100 dias para aprovar leis de segurança de armas e, portanto, tem uma opinião rígida em relação a armas, como relata a Reuters.

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