Este deverá ser o últimodepoimento do doleiro, que continua preso na Superintendência da Polícia Federalem Curitiba, desde o mês de março desse ano. O depoimento é mais uma tentativa dodoleiro obter benefícios, previstos no Acordo da Delação Premiada expressa naLei 12.850, de agosto de 2013.

Entenda a Lei 12.850: Acordo seladoentre o Ministério Público e a Polícia Federal, onde o réu ou suspeito deilícitos penais, colabora com as investigações e denuncia integrantes deorganizações criminosas em troca de benefícios, como a redução de pena.

Esse acordofoi firmado entre as Instituições em 24 de setembro, sendo os depoimentoscolhidos desde o início de outubro.

Todos os relatos do doleiro sãogravados e guardados em segurança no interior de um cofre, onde constam mais de100 depoimentos prestados por ele.

O esquema Youssef movimentou maisde 10 bilhões de dólares, segundo a investigação da Polícia Federal apurou. Eainda pesa sobre ele, atividades no câmbio negro e desvio de dinheiro daPetrobrás para abastecer o caixa de partidos políticos.

Segundo a Polícia Federal,existem 9 empreiteiras envolvidas no esquema de formação de cartel, desvio dedinheiro e corrupção de agentes públicos. Todas essas empresas têm contratosvigentes com a estatal que somam a incrível soma de 59 bilhões de reais.

Além de Youssef, mais 25 pessoasforam presas e apenas 14 continuam detidas. Mais um investigado que eraconsiderado foragido entregou-se ontem na sede da Polícia Federal em Curitiba,trata-se de Adarico Negromonte.

Pesa sobre ele a acusação de ser o homem deconfiança de Youssef, encarregado de levar dinheiro do doleiro para os agentespúblicos que faziam parte do esquema de corrupção. Negromonte apresentou-se jáno final da manhã de segunda-feira (24), de táxi e acompanhado de sua advogada.

Saiba quem é Alberto Youssef

Iniciou suas atividades naadolescência como um pequeno comerciante que vendia pastéis para sobreviver noMunicípio de Londrina, norte do Paraná.

Não satisfeito com o pouco que ganhavavendendo pastéis, partiu para o ramo mais lucrativo do contrabando deeletrônicos oriundos do Paraguai, porém, por cinco vezes acabou detido com ‘muambas’contrabandeadas do país vizinho. Essas idas e vindas entre Brasil e Paraguaideram a ele o conhecimento e esquema do câmbio ilegal. Foi pego e preso,pagando uma multa, na época considerada recorde, no valor de 1 milhão de reaise acabou confessando com detalhes sobre esse esquema ilegal.

Foi considerado umdos primeiros criminosos a ser beneficiado por um acordo de delação premiada noBrasil.

As autoridades acreditavam queYoussef não mais voltaria a praticar delitos, por sua delação e auxílio nasinvestigações sobre o esquema de câmbio negro, mas, outras investigaçõesapontaram exatamente o oposto.

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