Confesso que hoje ao sair da empresa aproximadamente às 17:00 e ver que estava chovendo, me encheu o coração de uma alegria quase infantil. Me veio a lembrança quando eu voltava da escola com meu irmão e amigos, sob uma capa de plástico. Pisávamos em poças d'agua, andávamos de bicicleta, como se toda essa festa fosse uma bênção da Natureza. Hoje 30 anos depois, tenho certeza que aquela chuva que sentia no rosto quando eu era criança realmente foi uma bênção.

Nos anos 80, eu ouvi falar de Chico Mendes, e sua luta para preservar a Amazônia. Já existia o Greenpeace, mas naquela época eram conhecidos como aventureiros e rebeldes.

Ecologia, preservação, biodiversidade era papo cabeça demais, quase ninguém dava a atenção. Hoje na maior cidade da América latina, estamos à beira do racionamento hídrico, simplesmente por que esvaziamos um reservatório inteiro (Cantareira). Fizemos aos poucos, no nosso luxo de lavar calçadas, carros e outros desperdícios afins. Mas tudo bem, tem água no reservatório.

Mas acho que ninguém lembrou do que Chico Mendes falou: que a Amazônia é o nosso maior patrimônio, ou melhor, o patrimônio da humanidade ou o pulmão do mundo. O desmatamento desenfreado começou a alterar o clima. Hoje estamos dando conta disso. A falta de chuva na cidade de São Paulo e na região sudeste do país está intimamente ligada ao desmatamento da floresta Amazônica. Mas ninguém lembrou disso. Faço parte desta geração que consome.

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Somente agora à beira de um racionamento começo a pensar na "minha pegada ecológica", o que descarto, o que poluo, e que planeta deixarei para o meu filho.

Afinal já consumimos um reservatório e se nossos filhos sofrerem com o racionamento, é porque a minha geração não soube poupar o planeta e agora iremos transferir esta conta para as novas gerações, filhos e netos, que já nasceram com este problema para resolver. Isto me veio à mente agora enquanto saio do trabalho. Nunca gostei de usar guarda-chuva e hoje não será diferente, principalmente neste momento em que está tão raro chover.