Monotonia, solidão, vingança, oportunidade, insatisfação sexual, espírito de aventura são algumas das motivações que vão além da falta de amor e podem levar à infidelidade. As causas da infidelidade são objeto recorrente de pesquisas e publicações várias, a mais recente o livro "O que faz o Amor Durar", de autoria do terapeuta americano John Gottman, professor da Universidade de Washington, tema de matéria da Folha de S.

Paulo de 25 de Novembro. Segundo a antropóloga Helen Fischer, mais do que uma emoção, o amor é um "sistema" do cérebro, da mesma forma que o acasalamento e a reprodução, com os quais o amor está relacionado. E são esses dois outros "sistemas" que explicam porque os seres humanos são capazes de trair, mesmo valorizando tanto o amor. Entre as muitas e variadas explicações, alguns estudos sugerem que a traição pode estar relacionada com a genética.

Em Outubro de 2011, um grupo de antropólogos tchecos publicou estudo efetuado com 86 casais, questionados quanto ao grau de satisfação com o respectivo casamento e eventuais infidelidades, e conhecimento de infidelidades dos respectivos pais. A única correlação identificada foi entre o comportamento infiel de pais e filhos. Ainda que sem validade estatística para ser extrapolado a populações maiores, esse estudo respalda um anterior, de 2008, em que um grupo de pesquisadores suecos identificou uma variação genética associada à infidelidade masculina.

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Essa variação genética interfere no processamento, pelo cérebro, de um neurotransmissor (vasopressina) associado ao comportamento monogâmico. Os homens portadores dessa variação genética vivenciaram o dobro de crises conjugais graves; entre os participantes do grupo estudado, suas parceiras foram as que relataram o menor grau de satisfação no Relacionamento conjugal.

Em 2010, um outro grupo de pesquisadores identificou outro gene do cérebro (um receptor de dopamina, relacionado com o comportamento de dependência), que seria responsável por desencadear a infidelidade.

Uma modificação desse gene diminui a concentração de dopamina no sistema de recompensa do cérebro; é o mesmo mecanismo que explica a compulsão por comprar, por promiscuidade, pelo cigarro. Quando forçados, os portadores dessa modificação genética não apresentaram maior propensão à traição que os não portadores mas, superada a barreira da infidelidade, eles tenderam a se relacionar com maior número de parceiros.

Mas, sábios que são, os cientistas advertem que a genética não pode ser tratada como a bola de cristal para prever a predisposição à infidelidade. Prova disso é um estudo genético, publicado em Novembro de 2010, realizado no Hospital Saint Thomas de Londres com 1.600 pares de gêmeas adultas, para as quais apenas 38% do comportamento infiel resultou atribuível a genes hereditários. Exclui-se portanto a hipótese de que traidores compulsivos sejam reféns de vasopressina e dopamina: fidelidade e traição têm muito a ver com oportunidade e escolha pessoal.

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