A CNV - Comissão Nacional da Verdade - cumpriu parcialmente seu objetivo. Independente de haver ou não crítica ao relatório apresentado, lamenta-se a abordagem das anunciadas torturas de um só lado. O outro lado cometeu atos de terror, crimes e tortura pelas ações de guerrilhas urbanas, causando vítimas de pessoas e famílias. Se houve vítimas, houve também responsáveis.

O relatório atende aos que pretendiam ver punidos os responsáveis por atos de tortura e, principalmente, ver reconhecida a luta por uma ideologia e direito a indenizações.

Não atende aos que estavam defendendo o país de pretensa revolução socialista, que hoje foi substituída por medidas políticas e sociais do governo federal, que chegam às relações com países de comandos socialistas (China, Cuba, Venezuela, Paraguai...)

Quanto às torturas, algo se justifica, mas a verdade não pode admitir desvios como desobedecer à data de início fixado de 1946 (no governo de Eurico Gaspar Dutra, também militar) para 1964 (início do governo militar).

Desvios na negação da Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso; no abandono de investigações dos que atuaram na guerrilha e de suas vítimas; na promoção de Lamarca, desertor do exército que roubou armas de quartel para usar na guerrilha. Sua família recebe proventos de general de brigada. E as vítimas da guerrilha? As da guerrilha? Não receberam nada!

A CNV apontou 434 vítimas e 377 responsáveis, entre 1964 e 1985, listando todos os responsáveis. Na lista aparecem ministros e ocupantes de cargos no governo do regime militar, os acusados de tortura e os cinco presidentes do regime: Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo.

Os membros da Comissão estão eufóricos com a oportunidade de manchar a imagem de brasileiros importantes. Até dos cinco presidentes generais, heróis nacionais que lutaram na segunda guerra mundial.

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Enquanto isso, os membros da diretoria e do Conselho de Administração da Petrobras, que são responsáveis, em todos os tempos, do crime e também pela ladroagem na maior empresa do país, estão sendo inocentados por pertencerem a um grupo intocável dentro dos ideais ideológicos. Também são culpados, todos eles! Se responsabilizam presidentes do país, por que não diretorias e conselhos da Petrobras?

Linda a cerimônia de entrega do relatório da Comissão. Emocionante. A ponto de provocar as lágrimas da Presidente ao fazer referência aos brasileiros vítimas de tortura. A ALN, Aliança Libertadora Nacional, guerrilheira, assaltando um carro-forte que trazia dinheiro para pagamento de funcionários, teve a reação de guardas, entre os quais Jayme Dolce, morto no tiroteio, um dos 126 listados, história também desprezada pela CNV.

Ainda há, presidente, lágrimas a derramar por mais 126 brasileiros que são vítimas de morte e tortura, abandonadas, esquecidas pela Comissão Nacional da Verdade. Famílias clamam. Choremos todos também por mais coisas que estão acontecendo.