Com início previsto para às 9h30, a sessão da CPI da Petrobrás de hoje (9 de abril), começou com atraso. Um homem vestindo terno e gravata, entrou na área reservada aos jornalistas e abriu uma caixa cheia de ratos. Gritaria, tumulto e, a seguir, ação dos seguranças, foi o que se viu na sequencia desta que foi, no mínimo, uma Manifestação inusitada, no momento em que chegava para depor João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Identificado como Márcio Martins de Oliveira, o manifestante, funcionário da casa, foi imediatamente demitido. Obviamente, o que se quer saber é se foi um ato isolado, ou se mandado por alguém. Chegou-se a cogitar se teria alguma ligação com o PSDB, o que foi veementemente negado pelos deputados do partido.

Acusado de formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de 70 milhões, Vaccari, que obteve na Justiça um habeas corpus que lhe dá o direito de permanecer calado, não se negou a responder às perguntas. O que sinaliza que o tesoureiro está disposto a se defender e insiste em negar as acusações.

Algumas declarações de Vaccari

Perguntado sobre os mais de 50 milhões arrecadados pelo PT em 2011 (segundo o Jornal O Globo), Vaccari diz que o fato de não se referir a ano eleitoral é irrelevante. Afirmou que o ano pós eleitoral é quando o partido paga as dívidas de campanha, explicando que por determinação da Justiça Eleitoral a arrecadação deve ser feita pelo diretório nacional e, após, distribuída. Vaccari disse ainda, que até hoje ninguém do partido apresentou proposta para que ele deixe o cargo, nem para que saia da secretaria de finanças.

O Deputado André Moura (PSC, Ceará), iniciou sua explanação afirmando que o tesoureiro teria assaltado os cofres da Petrobras em nome do PT, tornando-se réu nesta CPI.

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O mesmo deputado questionou a diferença dos 53 milhões declarados pelo PT, para os 200 milhões ditos por Pedro Barusco em sua delação premiada. Também afirmou que 31 milhões foram repassados para a campanha de Dilma, enquanto o tesoureiro afirmou terem sido 14 milhões.

Numa pergunta direta, feita pelo deputado Eduardo Leite (PSDB RS), sobre se Vaccari esteve no escritório do doleiro Alberto Youssef, a resposta contradisse o que o tesoureiro havia afirmado anteriormente, quando declarou: "estive no escritório dele e ele não estava presente". Embora não se recuse a responder, João Vaccari Neto não esclarece e parece não estar convencendo (embora tenha afirmado que é inocente), nesta que promete terminar como uma das mais importantes sessões da CPI que apura os crimes cometidos contra a Petrobras.