Diante do inevitável, relaxe e veja o que dá para fazer. Provavelmente, foi pensando nisso que a presidenta Dilma resolveu acatar as medidas propostas pelos senadores para tirar o país da pior Crise econômica dos últimos tempos. Dessa forma, o Planalto mata dois coelhos com uma única cajadada. Se aproxima de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e tenta isolar o incendiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara.

Com a popularidade baixíssima, com nível de aceitação pelos brasileiros abaixo de 8%, Dilma está atirando para todos os lados numa tentativa clara de sobreviver até o fim de seu mandato. Faz discurso, mas se enrola, fala na TV e ecoam as panelas, cria um "novo conceito" para meta e vira piada nas redes sociais. Enfim, a coisa está negra. Sua tentativa de ser mais "popular" está descendo a ladeira, o ajuste fiscal proposto por Joaquim Levy, está encontrando tanta objeção que, mais um pouco, vira água.

E enquanto isso, na Câmara dos Deputados, em Brasília, Cunha não mede esforços para detonar tudo que tem a ver com o Governo. Oportunista, é o terceiro na linha sucessória, mas por que não ser o segundo?

Com a manobra de aproximação do Governo com o Senado, Cunha se desestabilizou e começa a perceber que pode perder força. Partiu para o ataque, criticando as negociações entre senadores e Planalto e já avisou, não adianta tentar criar constrangimento para a Câmara, pois nenhum acordo será firmado sem o aval dos deputados.

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Cunha parece querer comprar briga com o Senado, e acusa os senadores de querer jogar para a "platéia", como defensores das contas públicas, no entanto, se as medidas do ajuste fiscal ainda não foram votadas, a culpa é deles. Afirma ainda, que medidas tomadas só pelo Senado serão inócuas, "não adianta aprovar lá, que não vai aprovar aqui..... ". Cita como exemplo, o projeto de repatriação de capitais para aumentar o caixa do governo.

O Senado tem um projeto, mas se o governo não apresentar projeto próprio, Cunha garante que não haverá votação.

Conforme divulgado no jornal Folha de S.Paulo, o presidente da Câmara almoçou, nesta terça feira, 11, com líderes das bancadas de oposição e algumas governistas e o prato principal foram as críticas a Renan e aos senadores. Como sobremesa, foi sugerido que a Câmara apresente também uma lista própria de projetos.

Para completar o momento de desconforto, Cunha diz que vai romper o convênio entre Câmara e Advocacia Geral da União (AGU), que pela Constituição, representa os poderes judicialmente. Em meio à fogueira de vaidades e luta pelo poder, os brasileiros caminham a espera da luz no fim do túnel.

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