As dúvidas sobre o envolvimento de Luís Inácio Lula da Silva no esquema de corrupção da Petrobras ainda persistem. Três dos principais delatores da Operação Lava Jato citaram o ex-presidente: o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o ex-gerente de engenharia Pedro Barusco. Os depoimentos geraram um pedido da Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (10), para que Lula seja ouvido sobre a relação entre políticos e o esquema instalado na Petrobras.

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O documento oficial emitido pela PF menciona que Lula, na época Presidente da República, pode ter obtido vantagens pessoais, para seu governo e para o Partido dos Trabalhadores (PT), através da “manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”.

O fato de que diretores da Petrobras foram indicados aos cargos por políticos, seria um dos indícios de que o ex-presidente teria conhecimento do que estava acontecendo.

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Para a PF, além da investigação sobre obtenção de vantagens pessoais, é preciso esclarecer as ações do governo que possibilitaram a instituição e a manutenção do esquema.

Lula não possui foro privilegiado. Mesmo assim, o pedido da PF foi feito ao STF e não à primeira instância. A PF não deu explicações sobre esta escolha, mas o delegado Josélio Sousa insiste que “é necessário trazer aos autos as declarações do então mandatário maior da nação, a fim de que apresente sua versão”.

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Lava Jato Lula

Segundo Sousa, neste momento as investigações atingem o núcleo político-partidário do governo Lula.

O documento revela que Paulo Roberto Costa declarou, em depoimento, que soube por José Janene, que Lula telefonou para o então presidente da estatal José Eduardo Dutra, exigindo sua nomeação para o cargo de diretor de abastecimento e ameaçou demitir o próprio Dutra, caso não fosse atendido. Para o ex-diretor é pouco provável que Lula e Dilma não tivessem conhecimento de um esquema de corrupção de tamanha “envergadura”, como o que foi “montado na Petrobrás”.

Dilma Roussef, que comandou o Conselho de Administração da Petrobras de 2003 a 2010, ainda de acordo com o delator, “deveria ter conhecimento de tudo o que ocorria na empresa”.

Lula se coloca na defensiva

Para o ex-presidente, esta é uma manobra para atingi-lo politicamente. Lula afirma que no relatório o delegado assume “não haver provas de seu envolvimento direto no desvio de recursos da Petrobras”.

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Segundo aliados que conversaram com Lula na volta de sua viagem ao Paraguai e à Argentina, ele teria reclamado de excessos cometidos por delegados da PF e acha que este pedido será usado como munição pela oposição.

O pedido ainda será analisado pela Procuradoria-Geral da República.

 

 

 

 

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