A presidente Dilma Rousseff tenta reverter a situação política do ao seu favor. Numa negociação rápida, ela tenta criar uma estratégia positiva que possa garantir a aprovação das medidas de ajuste fiscal e a sua própria manutenção no poder.

Nas próxima horas, o Governo deverá anunciar um corte de dez ministérios e a nova composição de sua equipe ministerial, que em grande parte irá beneficiar o PMDB. Isto foi divulgado ontem, pelo líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães. O partido do vice presidente, Michel Temer, será o principal contemplado.

Um dos ministérios mais cobiçados é o da Saúde, cuja tradição política do governo petista é do mesmo ser ocupado sempre por um nome de dentro do PT.

Mas, segundo Guimarães, já está definido que será do PMDB. Os nomes mais cotados são os deputados Marcelo Castro, do Piauí e Manoel Júnior, da Paraíba. A intenção era que esta indicação deveria ser feita pelo governador do Rio de Janeiro, Fernando Pezão (PMDB), ideia rejeitada pela bancada da Câmara dos Deputados.

A indicação de nomes, que foi entregue pelo deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à presidente Dilma, não estava constando o nome de Eliseu Padilha, atual ministro da Aviação e que é ligado politicamente à Michel Temer. Isto causou um certo descontentamento no vice de Dilma. Alguns ministros devem ser mantidos, como o nome de Katia Abreu para o ministério da Agricultura e de Eduardo Braga, para o ministério das Minas e Energia.

Aliás, estes devem ser mantidos por fazerem parte da cota pessoal da presidente Dilma.

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Novos nomes devem ser indicados para a pasta da Integração Nacional ou do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

A montagem dos novos ministérios teve o dedo de Lula

Em uma reunião com Dilma Rousseff, no palácio da Alvorada, nesta quarta- feira, dia 23, o ex-presidente Lula disse para a presidente que a montagem destes novos cargos deveria agradar a todos. A escolha dos novos ministros deve satisfazer aos interesses dos três personagens principais do PMDB no Congresso Nacional. Seriam eles, o vice presidente Michel Temer, o líder do PMDB, na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e no Senado, Renan Calheiros.

A princípio, tanto Michel Temer, como Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não quiseram indicar nomes para os ministérios. Isto causou um medo muito grande de isolamento político de Dilma. No dia seguinte, a própria presidente ligou para os líderes para pedir apoio. Um dia após, logo pela manhã, o deputado Leonardo Picciani (RJ), entregou a lista que continha o nome de sete deputados indicados pela bancada para ocupar, pelo menos dois ministérios.

Ainda, em uma reunião com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, Dilma tentou oferecer o ministério dos Esportes. Ele não aceitou.

A intenção do governo é fundir dois ministérios. O do Desenvolvimento Social, com o novo ministério que vai surgir da reunião do Ministério do Trabalho e o da Previdência Social. Dilma pretende criar o ministério da Cidadania, que seria a fusão do ministério da Igualdade Racial, Mulheres e Direitos Humanos. Por sugestão de Lula, a presidente deveria reunir os movimentos sociais que trabalham nestes campos, a fim de explicar tal processo e assim, evitar algum tipo de descontentamento.