As negociatas do Governo com a base aliada para que os parlamentares não derrubassem os vetos, na sessão do Congresso de 22/09, tem cifras astronômicas.

Dados apontam que mais de R$ 138,3 bilhões por ano serão necessários para cumprir o acordo de Dilma com Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Michel Temer (PMDB-SP). Este número é 13 vezes maior que os R$ 10 bilhões apontados pelo Ministério do Planejamento para pagar o reajuste aos servidores do judiciário em 2016.

Publicidade
Publicidade

Um cidadão comum ao olhar para os dois números pode pensar, ora, mas então pelo bem do país, não seria mais econômico conceder o reajuste de R$ 10 bilhões?

Sim, pela lógica normal do cidadão comum sim, R$ 10 bilhões é inferior a R$ 138,3 bilhões. Mas o que vigora em Brasília não é a ótica nem a lógica do cidadão comum, mas sim a ótica e lógica Política.

Neste caso, da má política. A política que olha para as duas cifras e tem a seguinte conclusão: Os R$ 10 bilhões sairão do caixa da União e irão para o judiciário, um poder “independente” onde “não se faz política”, e serão gerenciados por um “não político”, enquanto que os R$ 138,3 bilhões sairão do caixa da União, e a gestão continuará na mão política, geridos por políticos, neste caso, políticos da base aliada e do PMDB, partido especialista em se manter na “periferia do poder” desde a redemocratização do país em 1984.

Cunha e aliados ficarão com ministérios no valor de R$ 117,5 bilhões 

Na divisão interna do PMDB, Cunha e seus amigos ficarão com a responsabilidade de administrar os orçamentos do Ministério da Saúde R$ 109,4 bilhões, e um novo Ministério da Infraestutura que englobará a Secretaria de Aviação Civil R$ 6,7 bilhões e a Secretaria de Portos R$ 1,3, bilhões totalizando R$ 117,5 bilhões.

Renan e seus aliados serão responsáveis pelos orçamentos do Ministério da Agricultura R$ 11,5 bilhões e Ministério de Minas e Energia R$ 3,8 bilhões, que juntos somam R$ 15,4 bilhões.

Publicidade

Já o Vice Michel Temer será o responsável pela indicação do Ministério do Turismo que administrará um orçamento de R$ 430 milhões.

Nesta conta entram os R$ 4,9 bilhões em Emendas Parlamentares liberadas e a liberar até o final de 2015, e as negociações de cargos de segundo escalão para baixo e outros penduricalhos.

Orçamento do Ministério da Saúde é de R$ 109,4 bilhões

A principal moeda foi o Ministério da Saúde, segundo maior orçamento da União que sozinho consome R$ 109,4 bilhões anuais.

Um minuto só, o Ministério da Saúde é o segundo maior órgão do orçamento da União? Sim!

Então a saúde no Brasil só pode estar excelente! Não!

Mas está é uma reflexão para outro momento.

O Ministério da Saúde só perde para o Ministério da Previdência R$ 505,7 bilhões anuais, e a resposta também é não, a Previdência Social no país também não está excelente, longe disso.

Brasil gasta R$ 1,4 trilhão com pagamento de dívida e juros

Os Ministérios da Saúde e Previdência são os dois órgãos onde mais são alocados recursos do orçamento, mas não são as maiores Despesas do Orçamento da União, as maiores despesas são: Encargos Financeiros R$ 521 bilhões e Refinanciamento da Dívida Pública R$ 881,2 bilhões, nomes pomposos para pagamento de juros e parte da dívida.

Publicidade

Traduzindo na linguagem do cidadão comum, por ano o país gasta R$ 1,4 trilhão com o capital financeiro especulador, que não produz sequer o papel do dinheiro, esse montante some das contas públicas em transações virtuais.

Enquanto você lia este texto, o dólar bateu em R$ 4 e os banqueiros já embolsaram R$ 14,4 milhões.

Leia tudo