O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, teve seu pedido de delação premiada com a P.G.R. (Procuradoria geral da República) homologado hoje pelo S.T.F. ( Supremo Tribunal federal).

Com a aprovação, o lobista teve sua prisão de regime fechado, que cumpre em Curitiba-PR, transformada em prisão domiciliar, que deverá ser cumprida por um ano a se iniciar em 18 de novembro, quando será liberado. O acordo fechado pela P.G.R. inclui a utilização de tornozeleira eletrônica que deverá ser retirada somente em 2017, com a progressão da pena para regime semi-aberto.

A homologação foi autorizada pelo ministro Teori Zavaschi, responsável pelas decisões que envolvem os processos da Operação Lava Jato no Supremo, em função das denúncias feitas pelo lobista envolverem parlamentares que só poderiam ser investigados com a autorização do Tribunal, devido a imunidade parlamentar de que gozam.

Conforme delações de outros colaboradores da Operação Lava Jato, Baiano é o operador ligado ao PMDB e tem ligações estreitas com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tendo beneficiado o parlamentar em contratos de navios sonda para a Petrobrás com valores que chegariam a US$ 5 milhões.

O acordo envolve também a devolução de cerca de R$ 8,5 milhões já bloqueados na conta do lobista no ato de sua prisão, além de outros R$ 5 milhões e uma casa na localidade de Trancoso, no sul da Bahia.

Na delação, Baiano descreve a operação feita pelo amigo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o pecuarista José Carlos Bumlai, que fechou um empréstimo de R$ 6 milhões com o objetivo de quitar dívidas do PT junto ao Banco Schahin, que, por sua vez, assinou contratos superfaturados com a diretoria internacional da Petrobras com o objetivo de compensar o empréstimo.

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O contrato entre o banco e a estatal, com valor de R$ 1,6 bilhão, levantou suspeitas devido a total falta de experiência com sondas de exploração de petróleo, foco principal do contrato.

Baiano confirmou também ter sido ele o responsável pelos R$ 2 milhões de reais encaminhados ao ex-ministro Palocci em 2010 para a campanha da presidente Dilma Rousseff, que já havia sido relatado pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.