Na quinta-feira (15), o ex-presidente Lula se apresentou voluntariamente para prestar depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em Brasília. O que os investigadores querem saber é se houve tráfico de influência por parte de Lula, que foi contratado pela Odebrecht para proferir palestras em vários países, coincidindo com locais onde a empreiteira possuía obras em andamento, ou fecharia novos negócios.

No total a empreiteira teria pago a Lula 4 milhões de reais, além de substanciosas despesas de viagem.

Patrocinado pela empreiteira, Lula visitou Cuba, República Dominicana, Angola e Gana, entre outros países. Após as visitas a Gana e República Dominicana, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) financiou mais de um bilhão e meio de dólares destinados à Odebrecht. A assessoria de Lula divulgou que, em seu depoimento ao MPF, ele afirmou jamais ter influenciado contratos entre empresas e o BNDES.

O procurador Ivan Cláudio Marx, responsável por estas investigações, confirmou que o ex-presidente não foi intimado, mas sim, compareceu por vontade própria. A investigação sobre tráfico de influência corre em segredo de justiça e já foi feito o pedido de compartilhamento das informações apuradas na Operação Lava Jato.

Odebrecht é a maior cliente de Lula

Os contratos para palestras são feitos através da L.I.L.S., empresa de Lula, que tem a Odebrecht como principal cliente.

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Lula Corrupção

Além de pagar pela conferência, a empreiteira pagava os custos das viagens para países como Angola e Venezuela, onde a empreiteira possuía obras financiadas pelo BNDES, incluindo avião particular e hospedagem de luxo.

Lula foi a Venezuela na época em que a Odebrecht enfrentava problemas com seus contratos. Oficialmente a empresa pagou R$ 330 mil, para que Lula falasse sobre "os avanços alcançados pelo Brasil".

Na ocasião, Lula esteve com o presidente da Venezuela Hugo Chávez (morto em 2013) e com Emílio Odebrecht. Havia então uma discussão entre a empresa e o governo daquele país, sobre uma dívida de 1,2 bilhão de dólares. A revista Época afirma que telegramas do Itamaraty confirmam o encontro entre Lula e Chávez. Após a visita do ex-presidente, as obras para construção de duas linhas de metrô, que estavam sendo realizadas pela Odebrecht na Venezuela, receberam o equivalente a 1,2 bilhão de reais.

Estas obras estão sendo investigadas pelo MPF e pelo Tribunal de Contas da União.

Outro exemplo seria Angola, onde Lula palestrou também contratado pela Odebrecht. Em poucos dias, o BNDES liberou 3,1 bilhões de dólares para que a empresa construísse habitações e realizasse obras de infraestrutura no país africano.

Apesar de afirmar nunca ter atuado como lobista, as coincidências entre visitas do ex-presidente e negócios fechados com empreiteiras nestes paísescontinuam sendo investigadas.

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