O trabalho do exército do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), iniciou, na manhã desta quinta-feira (19), seu plano para salvar a cabeça do seu general. Composto por 21 membros titulares, o Conselho de Ética conta com 10 soldados “fieis” a Cunha e que prometem fazer de tudo para protelar a reunião que analisará a representação contra o comandante da Casa.

Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); Cacá Leão (PP-BA); Erivelton Santana (PSC-BA); Mauro Lopes (PMDB-MG); Paulo Pereira da Silva (SD-SP); Ricardo Barros (PP-PR); Sérgio Brito (PSD-BA); Vinicius Gurgel (PR-AP); Washington Reis (PMDB-RJ); Wellington Roberto (PR-PB) fazem parte da armada de Cunha no Conselho de Ética.

Dificuldades para iniciar reunião

As dificuldades de realizar a reunião iniciaram ainda na noite da última quarta-feira (18), quando a Direção da Câmara informava ao presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), que todas as salas do complexo estava lotavas e eles teriam que esperar esvaziar alguma para dar início ao encontro.

Na manhã desta quarta-feira, mais dificuldades impostas, dessa vez pelos parlamentares aliados a Cunha.

Na tentativa de não dar quórum, o exército de Cunha não compareceu a reunião até o momento que a quantidade mínima exigida foi alcançada às 10h24.

Sessão aberta, mais uma manobra dos soldados se iniciou. Dessa vez foram as questões de ordem a forma encontrada por eles para impedir, ou atrasar, que era o plano inicial, o prosseguimento da reunião.

André Moura (SE), líder da bancada do (PSC), pediu o cancelamento da reunião.

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Política PSDB

Manoel Júnior (PMDB-PB) solicitou que o presidente do Conselho lesse a ata da reunião passada. O deputado do PMDB formulou nova questão de ordem e pediu o afastamento de Júnior Delgado (PSB-MG) do Conselho por ter assinado requerimento contra Cunha.

Reunião cancelada

Após tanto atraso intencional, a reunião teve que ser suspensa porque Eduardo Cunha iniciou sessão para votação em plenário - quando o plenário está em votação, nenhuma Comissão pode deliberar.

Por meio de mais uma manobra, Cunha iniciou a sessão quando 189 deputados marcavam presença no painel, o que não é ilegal, porém, de praxe, esse tipo de sessão só é aberta com 257 deputados, ou seja, a metade do quórum da Casa.

Manoel Júnior recorreu ao plenário pedindo que a sessão do Conselho fosse invalidada. Cunha cedeu a presidência a Felipe Bornier (PSD-RJ), outro aliado, que decidiu invalidar a sessão.

A decisão de anular a reunião do Conselho de Ética trouxe resposta do PSDB e DEM. As duas bancadas informaram que irão obstruir as votações dessa tarde em protesto a decisão de Cunha. Outros deputados de diversos partidos resolveram tomar a mesma decisão e se retiraram do plenário.

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