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Em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (14), os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) detalharam o esquema de corrupção que envolve o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada, o ex-gerente da estatal Eduardo Musa, o lobista Fernando Baiano, além de três pessoas da família Schahin, Salim, Milton e Fernando, e duas da família Bumlai, Maurício e Cristiane.

Destes, já estão detidos por envolvimento em esquemas de corrupção na Petrobras Cerveró, Vaccari e Zelada. Fernando Baiano está em prisão domiciliar. Eduardo Musa é o único desta lista que fez acordo de delação premiada com o MPF.

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Preso pela Lava Jato em novembro, Bumlai é acusado de ter sido operador do Partido dos Trabalhadores junto ao Banco Schahim.

O esquema

Segundo a denúncia, entre outubro de 2006 e dezembro de 2009, foi oferecida propina de um milhão de dólares a Musa, e ainda a quitação de uma dívida de R$ 49 milhões, por Salim, Milton e Fernando Schahim. Vaccari e Baiano foram os intermediários da negociação, a pedido de José Carlos Bumlai e Salim. O procurador Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou que Bumlai atuava como operador do PT. No esquema, foram feitos vários empréstimos fraudulentos, pagos através de contratos do Banco Schahim com a Petrobras. A quitação dos empréstimos era em favor de Bumlai e do PT.

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Um dos empréstimos, de 12 milhões de reais (em valores da época), foi usado para pagar dívidas do PT. Para mascarar este pagamento, Bumlai simulou a venda de embriões de gado.

Segundo Dallagnol, Bumlai e outros intermediários são "ligados ao núcleo do poder". Políticos envolvidos nestas operações ainda estão sendo investigados, portanto não tiveram seus nomes revelados.

O MPF estima que a quantia total que teria sido "lavada" neste esquema é de R$ 18 milhões.

Representando a Receita Federal, Roberto Leonel, que participou da mesma coletiva, relatou que apenas 10% do dinheiro pago pela Petrobras para grupo Schahim foram tributados no Brasil. Todo o restante foi para empresas offshore, criadas pelo grupo.

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Durante a entrevista, Dallagnol afirmou que "partidos políticos agiram como se a Petrobras fosse sua propriedade privada". Ao responder uma das perguntas dos jornalistas presentes, foi enfático: "O Brasil não é terra de ninguém. O Brasil é terra de brasileiros que querem Justiça e a Justiça será alcançada".