A sessão do Conselho de Ética de hoje (09) foi bastante tumultuada. Depois de inúmeros bate-bocas e duas votações que pediam o adiamento da sessão, um documento vindo da Mesa Diretora da Câmara, assinado pelo primeiro vice-presidente Waldir Maranhão (PP-MA), determinava a substituição do relator Fausto Pinato (PRB-SP) do processo que pede a cassação do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a escolha de um novo.

Prontamente, o presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), resolveu nomear o deputado Zé Geraldo (PT-PA), que disse que reapresentaria o relatório criado pelo ex-relator para que o processo não parasse e atrasasse ainda mais. Porém as coisas mudaram e o cenário ficou ainda mais embolado.

Os bate-bocas continuaram e a péssima imagem do Conselho de Ética continuou sendo transmitida, ao vivo, para todos e, indiscutivelmente, pouquíssimas pessoas conseguiam entender o que estava acontecendo e o que aconteceria a seguir até que o José Carlos Araújo resolveu voltar atrás da nomeação de Zé Geraldo e decidiu acatar o que inúmeros deputados pediam: uma nova votação para a escolha do novo relator.

E assim foi feito.

Ele apresentou os partidos que poderiam participar do sorteio. Foram excluídos do sorteio os deputados do Rio de Janeiro e todos que fazem parte do blocão de Eduardo Cunha. Os sorteados foram Léo Brito (PT-AC), Marcos Rogério (PDT-RO) e Sérgio Brito (PSD-BA). Segundo o presidente do Conselho, amanhã (10), a partir das 9h30, ele anunciará qual desses três será o novo relator e como andará o processo de agora em diante.

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Corrupção Política

O deputado José Carlos Araújo ressaltou ainda que irá recorrer da decisão “monocrática” da Mesa Diretora da Câmara para que o relator Fausto Pinato seja reconduzido a função e que o relatório dele seja validado para votação.

Durante a fala de Araújo, inúmeros membros da Mesa Diretora surgiram no Conselho de Ética para explicar que a decisão não partiu da Mesa, mas sim do primeiro vice-presidente, aliado de Cunha, o que revoltou ainda mais os deputados presentes na sessão, que acusaram o presidente da Câmara de "golpista" por ter usado do vice-presidente, já que ele próprio não poderia assinar tal decisão para atrapalhar os trabalhos do Conselho.

Ou seja, a Mesa Diretora da Câmara é hierarquicamente superior ao Conselho de Ética, sendo assim, a decisão dela é uma esfera superior e não pode ser ignorada. E,endo cumprida, devasta os trabalhos realizados no Conselho de Ética até agora.

Vale ressaltar que não houve irregularidades na decisão do vice-presidente da Câmara. O deputado Waldir Maranhão usou de uma prerrogativa do cargo que ocupa, porém tal decisão atrasará ainda mais o parecer final do Conselho de Ética, o que é muitíssimo prejudicial ao Congresso Brasileiro.

Amanhã, com a nova sessão e a apresentação do novo relator, ele terá um prazo para redigir um novo relatório e com isso apresentá-lo para os demais membros do Conselho de Ética, que terão alguns dias para fazer a leitura. Com isso teremos o início do recesso parlamentar, empurrando a votação que poderá cassar Eduardo Cunha somente para 2016. E de manobra em manobra, Cunha vai sobrevivendo.

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