Devido ao recente episódio da carta em tom de desabafo enviada a Dilma Rousseff, a presidente se reuniu com Michel Temer no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (08), em uma reunião que durou 45 minutos. Após o encontro, ambos declararam que procurarão manter uma relação institucional e pessoal de forma satisfatória, para não agravar a crise Política do Brasil.

Entretanto, o momento de “reconciliação”, na prática, parece estar longe de tornar-se realidade, e o rompimento da aliança PMDB/PT parece cada vez mais possível.

“A relação mais fértil possível”

Após o término da reunião, Michel Temer disse aos jornalistas que o aguardavam que “ambos [Dilma e Temer] terão a relação pessoal e institucional mais fértil possível”. Minutos depois, o Planalto divulgou uma nota fazendo uma declaração semelhante, afirmando um compromisso de uma relação pacífica e, segundo a nota, “que leve em conta os interesses do país”.

No entanto, vale ser ressaltado que Temer, em sua carta, escrevera que "a desconfiança do governo contra a vice-presidência e o seu maior partido aliado nunca acabaria, independente do que fosse feito para minimizar a situação".

Leonardo Picciani

Uma articulação para destituir o peemedebista Leonardo Picciani (RJ) da liderança do PMDB na Câmara foi feita com a ativa participação de grupos próximos a Michel Temer. Picciani é aliado de Dilma Rousseff, fato registrado por Temer em sua carta: “De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu vice e Presidente do Partido”.

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Entre os motivos da manobra, está a hostilidade do deputado contra o vice-presidente, descrita pelo próprio Temer em uma conversa com deputados: “Em 35 anos de partido, nunca fui tão agredido e hostilizado por um peemedebista como fui por esse jovem”.

Porém, os mesmos grupos ligados à manobra para a saída de Picciani também estão envolvidos em articulações pela saída de Dilma Rousseff da presidência, o que pode caracterizar uma manobra para enfraquecer a bancada governista na Câmara.

CPI da Hemobrás e o rompimento com o PT

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) tem juntado assinaturas dos diretórios regionais do PMDB para a criação de uma CPI da Hemobrás, uma empresa estatal de hemoderivados e biotecnologia. A estatal é investigada pela Operação Pulso, da Polícia Federal, que combate esquemas de fraudes e desvio de recursos na Hemobrás.

Entre os principais alvos da Operação Pulso, estão o presidente da Hemobrás, Romulo Maciel Filho, e o diretor de Produtos Estratégicos e Inovação, Mozart Sales.

Vale lembrar que a Hemobrás é vinculada ao Ministério da Saúde, chefiada pelo peemedebista Marcelo Castro, aliado de Leonardo Picciani.

Para o deputado Lúcio Vieira Lima, a criação da CPI seria uma oportunidade para atacar o ministro Marcelo Castro – que participou de manobras para aumentar a parcela governista do PMDB na Câmara – e dar início à criação de uma convenção extraordinária do partido para que seja votado o rompimento com o PT.

“Vamos fazer a CPI da Hemobrás ou CPI do que for mais. Já estou coletando assinaturas dos diretórios regionais do PMDB para que haja convenção extraordinária e seja votado o rompimento com o PT”, afirma o deputado.

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