Quadro histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), Jaques Wagner, atual ministro da Casa Civil de Dima Rousseff, põe a mão na consciência, olha para trás e admite que a sua atual legenda cometeu erros e acabou “reproduzindo metodologias” da velha política brasileira. Entrevistado pela Folha, o ex-governador da Bahia avaliou que se a tão sonhada reforma política tivesse sido feita no primeiro ano do Governo Lula, esquemas como a Lava Jato não teriam ocorrido.

Fundado com grande apelo popular e erguido nos braços da classe trabalhadora ainda na década de 80, o PT incorporou ao Brasil os ideais de esquerda e levou em sua estrela a esperança de inúmeros brasileiros exauridos com a ditadura militar e ávidos por mudanças. Depois de sucessivas derrotas ao pleito presidencial, a sigla sentou na maior cadeira nacional pela primeira vez em 2003, com Lula, e de lá não saiu mais.

Ao passo que grandes conquistas sociais foram atingidas, sobretudo no que diz respeito à erradicação da pobreza extrema, combate à fome e inclusão, a corrupção se tornou ainda mais sistêmica no país e colocou o PT no olho do furacão com os chamados Mensalão e Petrolão. O primeiro, por exemplo, colocou na cadeia lideranças históricas do partido como José Dirceu e José Genoíno.

“O PT errou ao não dar andamento à reforma política no primeiro ano de gestão do Lula.

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Governo PT

Como isso não foi feito, não houve mudança nos métodos da velha política brasileira. A sigla usou ferramentas que já eram usadas por outros. O PT nunca foi treinado para esse tipo de situação. E aí é aquela história: “Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”. E quem é treinado erra menos”, disse Wagner.

Impeachment “enterrado”, mas país não cresce

No cenário político, Wagner prevê um 2016 mais tranquilo à presidente Dilma.

Segundo o ministro chefe da Casa Civil, o processo de impeachment será “enterrado” na Câmara dos Deputados. O pedido foi aberto no início de dezembro pelo presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que aceitou uma demanda dos juristas Miguel Reale Jr, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal.

“Vamos enterrar o impeachment. Na Câmara mesmo. Vamos ter 250 ou 255 votos a nosso favor”, palpitou. Vale lembrar que são necessários 171 votos dos deputados para interromper o processo de impedimento na Câmara.

Por outro lado, os níveis de crescimento do país e a condução da economia seguirão com indicadores ruins, assim como já ocorrera em 2015, ano em que o ministro classifica como “difícil”.

“O ano de 2015 foi muito difícil. Primeiro que nós não conseguimos criar uma base sólida de sustentação ao governo no Congresso. Depois, é importante dizer que a crise econômica mundial teve influência no Brasil.

E tivemos que fazer ajustes no princípio do ano em decorrência das medidas tomadas nos dois anos anteriores”, explicou Wagner.

Na mesma entrevista, o homem forte do governo Dilma evitou fazer críticas abertas ao ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que terminou o ano fora do cargo, sendo substituído por Nelson Barbosa, que estava no Planejamento. Segundo Wagner, o ajuste de Levy foi feito para “apagar um incêndio”, sem saber “para onde iríamos”.

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