Alexandre Paes dos Santos, lobista preso sob a acusação de envolvimento em um esquema criminoso que visava a compra de medidas provisórias no governo federal, pediu que Lula fosse uma de suas testemunhas de defesa. A justiça determinou as convocações e o ex-presidente deve depor à favor de 'APS' nos próximos dias.

Quem autorizou a convocação de Lula e mais onze pessoas para depor como testemunhas foi o juiz Vallisney de Souza Oliveira, que atua na 10ª Vara Federal em Brasília e é o responsável pela condução do processo da Operação Zelotes.

Além de Alexandre Paes dos Santos, a investigação mira outras quinze pessoas, todas suspeitas de envolvimento em um esquema de lobby, que segundo dados das investigações, pagavam alto valor de propina para obter medidas provisórias.

Segundo o jornal 'O Estado de S.Paulo', Lula ainda era presidente quando duas medidas provisórias do esquema investigado foram aprovadas, sendo elas as MP 471/2009 e 512/2010. As investigações também apontam que o filho do ex-presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, teria recebido recursos financeiros referentes uma MP aprovada por Dilma, a 627/2013.

Entre 2014 e 2015, uma das empresas do filho de Lula, LFT Marketing Esportivo, recebeu R$2,5 milhões de uma das empresas citadas por supostamente pagarem propina no esquema investigado. Luís Cláudio afirmou que o valor milionário é proveniente do pagamento por serviços prestados na área esportiva.

Mais um ano sem poder

Embora Lula tenha, nitidamente, aparecido mais que a própria presidente da república durante e após as eleições de 2014, o ex presidente não obteve um ano de protagonismo político em 2015.

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Não demorou muito para que uma das fases da Operação Lava Jato mirasse Lula e deixasse o criador da imaginária 'elite branca' - nome dado pelo presidente à todos os que não concordam com as ações ilícitas envolvendo o PT - com a imagem desgastada.

Logo após ser intimado pela Polícia Federal, Lula se afastou da mídia e não apareceu publicamente nem para defender Dilma Rousseff após o pedido de impeachment ser aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mantendo-se em silêncio, inclusive, após a divulgação da carta de Michel Temer no começo de dezembro.