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A presidente Dilma Rousseff prestigiou na tarde desta terça-feira (2) a abertura do ano legislativo no Congresso Nacional. Na mensagem lida aos parlamentares, ela fez um resumo das ações de 2015 e centrou grande parte da sua fala na necessidade do ajuste econômico, quando voltou a defender a recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras). Nesse momento, foram ouvidas vaias entre os presentes na sessão.

A simples presença de Dilma na abertura dos trabalhos do Congresso demonstra uma clara intenção do Governo em ter um maior diálogo com os parlamentares no ano de 2016. Há uma tradição que indica que a Casa só abre oficialmente os trabalhos depois da leitura da mensagem do chefe do Executivo, no caso, o presidente da República – o que não quer dizer que, necessariamente, seja obrigatória a presença do mandatário máximo do país.

Isso porque o texto costuma ser levado pelo ministro da Casa Civil ou por outro agente político de representatividade junto ao Palácio do Planalto. A própria Dilma exerceu esse papel quando era ministra da Casa Civil no governo Lula. Como presidente, é a segunda vez que a petista entrega pessoalmente a mensagem. Em 2011, no seu primeiro ano após a eleição, ela esteve no Congresso e fez um discurso voltado à erradicação da miséria no Brasil.

Nesta terça, em um discurso de aproximadamente 40 minutos, Dilma ouviu aplausos e vaias - estas, especialmente de opositores quando defendeu a volta da CPMF, que é tida pelo Planalto como uma das medidas centrais para a recuperação da economia. A presidente também lembrou a importância de se realizar uma reforma na Previdência Social, tornando-a, em suas palavras, mais “sustentável”.

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“Precisamos ter a plena consciência de que a estabilidade fiscal que precisamos em um curto prazo indicará o êxito das medidas de apoio. A CPMF é a ponte entre a urgência que se tem no curto prazo e o equilíbrio fiscal no médio prazo”, explicou Dilma, defendendo a volta do imposto, que depende da aprovação dos congressistas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que a recria.

Além do “apelo” à aceitação da CPMF e da lembrança da necessidade em se ajustar o atual sistema de Previdência Social entre os brasileiros, Dilma Rousseff também solicitou à Casa que aceite a proposta de limitação de gastos públicos. A ideia com essa medida é dar mais previsibilidade fiscal e qualificar as ações do governo.

Dilma não encerrou o seu discurso sem lembrar da realização dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão sediados pelo Brasil. Em agosto, o Rio de Janeiro receberá milhares de atletas, jornalistas e turistas envolvidos com a mais tradicional disputa esportiva do mundo. A abertura oficial do evento ocorre no dia 5 de agosto.

Segundo a petista, “todos os olhos estarão voltados ao Brasil”.

Perguntada sobre como se sentiu em sua ida ao Congresso, Dilma foi só elogios aos parlamentares: “Foi ótima a receptividade comigo. É minha obrigação estar aqui”. Dilma e o Congresso abrem o ano de 2016 em uma relação amistosa. Resta saber até quando.