A presidenta da República Dilma Rousseff (PT) decidiu cancelar a viagem que faria nesta quinta-feira, 31, para Washington (Estados Unidos), onde iria participar da 4ª “Cúpula Sobre Segurança Nuclear”. A decisão de Dilma foi tomada e anunciada para a imprensa ontem, 29, pouco tempo depois do anúncio oficial feito pelo PMDB sobre o “desembarque” geral do Governo, inclusive, solicitando a renúncia imediata de todos os ministros que são filiados ao partido.

Com a decisão oficial do PMDB de abandonar definitivamente o Governo Federal, outros partidos, até então aliados ao PT, também podem seguir pelo mesmo caminho, o que possivelmente agravaria, ainda mais, a crise Política por qual passa o governo de Dilma Rousseff. Os peemedebistas estavam há 13 anos na base governista junto ao Partido dos Trabalhadores, desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República no dia 1º de janeiro de 2003.

Apesar de não ter ainda apresentado um motivo plausível para o cancelamento de uma viagem tão importante para o Brasil do ponto de vista diplomático, tudo indica que a presidenta Dilma preferiu mesmo evitar que o vice-presidente da República, Michel Temer, assumisse a presidência do país, dois dias após o PMDB, presidido nacionalmente por Temer, anunciar sua debandada do Governo Federal.

Durante o anúncio oficial do PMDB, inclusive, membros da sigla entoaram gritos de “Temer Presidente” e “Fora PT”, o que demonstra claramente às intenções dos peemedebistas ao romperem com o Governo Dilma, após mais de uma década de aliança política com os petistas.

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Governo Michel Temer

De acordo com faixas levadas por alguns filiados à Comissão Nacional do partido, realizada nesta terça, em Brasília, o PMDB estaria “ouvindo as vozes das ruas” ao decidir pelo “desembarque” do Governo.

Segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, e que rege a política no Brasil até os dias de hoje, na ausência do presidente da República quem deve assumir a cadeira da presidência no Palácio do Planalto é o seu sucessor imediato, ou seja, o vice-presidente, que atualmente é Michel Temer, visto por Dilma Rousseff e pelo PT como o principal articulador nos bastidores do rompimento do PMDB com o Governo, o que explica a decisão da presidenta de cancelar sua ida aos EUA e permanecer no país.

“Ao romper com o Governo, PMDB escancara briga pela presidência”, afirma especialista

Para o historiador e especialista em política brasileira, João Marcos dos Santos, a decisão do PMDB de romper com os petistas já é uma evidência aberta de que o partido quer ocupar a presidência da República.

“Em política as alianças não são vitalícias. Elas duram até o exato momento em que os interesses partidários entram em choque.

E é justamente o que ocorre no atual cenário político brasileiro. O PMDB, vendo o governo petista naufragar feito um Titanic, se articulou rapidamente para não ‘sujar’ sua imagem ao lado do, agora ‘vilão’, PT, e quer aproveitar o momento de crise para insurgir como um possível ‘salvador da pátria brasileira’, e, quem sabe, realizar o sonho de ter um peemedebista como presidente da República. Ao romper com o Governo, o PMDB escancara a briga pela presidência, não tenha dúvida disso.”, garante o historiador.

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