O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi surpreendido na manhã de ontem, 4, pela Polícia Federal, que o conduziu, de forma coercitiva, de seu apartamento na cidade de São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista, para o aeroporto de Guarulhos em São Paulo, onde ele prestou depoimento por mais de três horas. A ação fez parte da 24ª fase da Operação Lava Jato e foi batizada como “Aleteia”, que em grego quer dizer “em busca da verdade”.

Esta nova fase da Lava Jato tem como alvo principal o ex-presidente Lula e os supostos benefícios que o mesmo teria recebido de empreiteiras investigadas pela Operação, como a OAS e a Odebrecht, que teriam, segundo os investigadores, repassado uma quantia no valor de 30 milhões de reais ao Instituto Lula e a empresa de palestras do ex-presidente, a LILS. O financiamento das campanhas de Lula à presidência, feito por estas empreiteiras, também está na pauta da investigação.

A Operação “Aleteia” expediu, durante toda a sexta-feira, 33 mandados de busca e apreensão, além de 11 pedidos de condução coercitiva, em três estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Todo o material apreendido foi levado lacrado para Curitiba, onde será analisado pelos policiais na busca por pistas que ajudem na investigação. A Polícia Federal quer saber se houve a compra de apoio político partidário por parte de Lula, e se o mesmo recebeu, durante os seus dois mandatos, vantagens indevidas das empreiteiras investigadas.

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Lava Jato Lula

Ainda segundo os investigadores da Lava Jato, Lula é suspeito de ser o líder do esquema de corrupção da Petrobras, batizado como “petróleo”, e teria recebido uma série de benefícios (uma espécie de gratidão das empreiteiras), dentre eles, as reformas feitas em um tríplex localizado no Guarujá e num sítio em Atibaia, ambos em São Paulo, que não estão registrados no nome de Lula, mas que, segundo os investigadores, podem pertencer ao ex-presidente.

Cientista político critica condução coercitiva de Lula

Para Jorge Gomes, cientista político, a ação da PF foi desnecessária e serviu apenas para acirrar os ânimos de quem é pró e contra Lula.

“Não havia a necessidade de uma condução coercitiva. Lula já havia se colocado a disposição do juiz Sérgio Moro para prestar qualquer esclarecimento. O que a Polícia Federal fez foi acirrar os ânimos das pessoas, que já estavam bem exaltados, e agora aumentou de vez.

O juiz afirmou que solicitou a ação para evitar violência, mas o que se viu foi muita pancadaria, tanto no aeroporto de Guarulhos, como também em frente ao diretório do PT. Lula deve ser investigado sim, como qualquer pessoa que a Lava Jato suspeitar, mas não precisava desse circo cinematográfico”, critica Gomes.

Advogado defende pedido de juiz Sérgio Moro

Já o advogado Álvaro Leme defende a decisão do juiz Sérgio Moro e afirma que a condução coercitiva foi uma medida para garantir que o depoimento de Lula fosse realizado.

“A orientação dada aos policiais foi a de informar ao ex-presidente Lula de que ele precisava ser conduzido ao aeroporto de Guarulhos para prestar depoimento. Caso ele se recusasse, aí sim, teria que ser colocado em prática a condução coercitiva. Acredito que não houve a intenção do juiz Sérgio Moro de comprometer a imagem de Lula. Ele está à frente de uma das maiores investigações criminais desse país, e está fazendo isso de forma brilhante. Não tem nada pessoal contra Lula nem contra ninguém, mas todos os suspeitos precisam ser investigados, inclusive, o ex-presidente”, afirma Leme.

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