A nova indicação de Michel Temer como presidente nacional do PMDB deu indícios de que sua liderança dentro do partido continua muito forte, já que ele foi eleito com 96% dos votos. O vice-presidente da República, que já há alguns meses não tem estado em sintonia com a presidente Dilma Rousseff, utilizou um tom ameno sobre o possível rompimento com o Partido dos Trabalhadores, e não deixou de evidenciar seu descontentamento com os rumos da Política brasileira.

Sobre o atual momento do cenário político, Temer foi enfático, ao dizer que "não podemos ignorar que o país enfrenta uma gravíssima crise política e econômica”, disparou o peemedebista, em nota divulgada no site oficial do PMDB.

"Mas não podemos deixar que os graves problemas retirem os direitos sociais e nem que reduzam os potenciais e a capacidade da economia nacional”, reiterou em seu discurso, logo após ser reconduzido à presidência do partido.

Michel Temer defende estratégias específicas para resolver problemas que necessitam de medidas imediatas, tal como dar mais ênfase para a iniciativa privada, o que seria uma maneira de estimular a expansão da economia. As reformas propostas pelo vice-presidente passam por um projeto do partido batizado de “Uma Ponte para o Futuro”.

Segundo ele, as especifidades do plano visam diminuir o desemprego e recuperar os setores da economia prejudicados pela recessão.

Apesar de ainda estar atrelado à base aliada, Temer sabe que terá muitas dores de cabeça para resolver não somente os problemas internos entre os setores do PMDB, mas também a questão sobre se o partido vai deixar de apoiar o PT. Além de querer mais autonomia para lançar candidatos nas próximas eleições, existem especulações de que caciques do partido estejam interessados em construir uma aliança com o PSDB, principal opositor do Governo Dilma.

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A decisão sobre se o PMDB continuará junto ao PT será votada daqui a 30 dias, após acordo acertado na convenção deste sábado. Muito sereno, Temer sabe que o momento é inapropriado para discutir assuntos desta natureza. "Não é hora de dividir os brasileiros, acirrar ânimos, de levantar muros. É a hora de construir pontes. É o que o PMDB está fazendo", garantiu. O líder peemedebista terá pelo caminho apoiadores do governo, mas a votação que ocorrerá em abril já indica um caminho de rompimento na base.

O PMDB, inclusive, já decidiu que não mais aceitará cargos no governo, principalmente depois de forte manifestação de militantes que estiveram presentes em Brasília para o evento. O deputado federal Mauro Lopes (MG) foi convidado para assumir a pasta da Secretaria da Aviação Civil, mas teve de ceder aos interesses do partido. Os membros do PMDB que ainda seguem o governo, sequer conseguiram discursar direito, tamanha pressão dos manisfestantes.

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