Preso desde junho de 2015 e já condenado pela Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht disse nesta terça-feira (22) que está disposto a fazer acordo de delação premiada. O anúncio foi feito depois que as investigações chegaram à conclusão de que a Odebrecht havia criado um departamento para pagamento de propinas, chamado de "Setor de Operações Estruturadas". Além de Marcelo, outros executivos da empreiteira também estão negociando o acordo, que ainda não foi confirmado pelo Ministério Público Federal.

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Por que Odebrecht assusta?

Em depoimento na CPI da Petrobras, em setembro de 2015, Marcelo negou a possibilidade de assinar a delação: "Para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar". Seis meses depois, porém, mudou de opinião.

Pressionado pelo avanço das investigações que chegaram ao segundo escalão da Odebrecht, Marcelo, que agora responde a mais uma ação por crime de corrupção, ficou sem saída. Acredita-se que os demais executivos optariam pela delação.

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Polícia Lava Jato

Outros motivos seriam a possibilidade de a empresa perder o crédito e de ser proibida de fazer contratos públicos no Brasil.

Um documento encontrado pela Polícia Federal contém uma lista de 200 nomes de políticos de 18 partidos. Muitos estão disfarçados com apelidos. O que se diz nos bastidores do governo é que esta descoberta "vai espalhar para todos, incluindo PMDB e PSDB".

Para um acordo de delação ser aceito pela Justiça, é preciso que haja um fato novo.

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Como vários outros acordos já foram feitos, Odebrecht só o faria se o que tem a contar for relevante, ou seja, uma bomba.

A nova fase da Lava Jato foi devastadora para a Odebrecht que, entre inúmeras acusações, é investigada por ter reformado o sítio em Atibaia, sob suspeita de pertencer ao ex-presidente Lula. A empresa também repassou dinheiro a João Santana, marqueteiro responsável pelas campanhas de Lula e Dilma. Agora está sendo averiguado se este dinheiro é proveniente do esquema de corrupção da Petrobras.

Lula, por sua vez, é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal, suspeito de tráfico de influência em favor da Odebrecht no exterior.

Em nota, a empresa declara esperar que o acordo, que está sendo chamado de "colaboração definitiva", tenha significativa contribuição para a Justiça e "a construção de um Brasil melhor".

 

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