Antes mesmo de o processo de impeachment se concluir, a famosa bancada "BBB" (Bala, Boi e Bíblia) vem se reunindo com Temer para tratar de pautas e reivindicações paras as frentes parlamentares da segurança pública, do agronegócio e evangélica, as quais não foram apoiadas pelo PT.

Em conversa ocorrida antes da votação pelo Impeachment na Câmara, segundo o deputado Sóstenes Cavalcante, do DEM-RJ, integrante da bancada evangélica, o vice-presidente se comprometeu a manter uma "interlocução direta" com a bancada que pretende votar, ainda este ano, o Estatuto da Família, já aprovado em comissão especial, além do chamado Estatuto do Nascituro e de uma Proposta de Emenda à Constituição que permitiria que associações religiosas propusessem ações diretas de inconstitucionalidade a fim de barrar leis que contrariem seus interesses - contrariando, assim, a laicidade do Estado, também prevista na própria Constituição Federal.

O primeiro, correspondente ao Projeto de Lei 6583/13, pretende definir (e restringir) o conceito de família como núcleo formado pela união de um homem e uma mulher. Com essa definição, configurações como as formadas por um casal homoafetivo ou ainda por um pai ou uma mãe de um filho adotado não teriam direito a pensão, INSS e licença-maternidade, por exemplo. O último, por sua vez, é o Projeto de Lei 478/07, que proíbe o aborto em caso de estupro, considerando como ser humano quaisquer células fecundadas (por processo natural ou in vitro), mesmo antes da transferência para o útero da mulher.

Em relação à frente parlamentar do agronegócio, Temer tem demonstrado seu apoio, a exemplo da aprovação do novo Código Florestal e do marco regulatório do biodiesel. Entre as demandas da bancada estão o fim do financiamento a programas agrícolas ligados ao MST e a PEC 215, que tira do Poder Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas e confere esse poder ao Legislativo.

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No caso da bancada da bala, uma das principais pautas de interesse está na flexibilização do Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003, e que proíbe o porte de armas a qualquer cidadão, salvo em ocasiões definidas por lei. A frente parlamentar defende maior facilidade na obtenção de armas de fogo, além de tornar mais leves as regras para o porte.

As frentes parlamentares votaram, em sua esmagadora maioria, pelo impeachment de Dilma, e a julgar pelas negociações anteriores à votação do dia 17 de abril, ao assumir a presidência, Michel Temer certamente será cobrado pelos acordos que estabeleceu. As tendências mais conservadoras do vice-presidente nos levam a acreditar que o apoio às referidas bancadas - ou, pelo menos, um diálogo próximo - poderá resultar em concessões polêmicas.