Capturado na sexta-feira (01), em uma das fases da operação Lava-Jato denominadade 'Carbono 14', o empresário Ronan Maria Pinto depôs para a Polícia Federal em Curitiba, nesta segunda-feira (05), alegando não ter participado dos esquemas de Corrupção em 2001, na cidade de Santo André, São Paulo. Declarou também que não se envolveu emchantagens dosex-ministros, Gilberto Carvalho e José Dirceu,nemdo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, logo após o assassinado do ex-prefeito petista, Celso Daniel, que ocorreu em janeiro de 2002.

Uma das descobertas dessa fase da operação Lava-Jato, foi um empréstimo feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai em 2004, pelo Banco Schahin, no valor de 12 milhões de reais, dos quais,metade foi entregue a Ronan, que é dono do jornal "Diário do Grande ABC", localizado na cidade de Santo André.

O empresário, que também é dono de empresas no setor de transportes e coleta de lixo, diz não ter conta bancária pessoal e negater recebido dinheiro vindo de "origem política". Eleafirma que movimenta recursos pessoais em contas jurídicas e que sempre fez dessa forma. Dissetambém que pegou 4 milhões de reais de uma outra empresa para poder comprar o jornal, em 2004.

'Malabarismo financeiro'

O juiz federal Sérgio Moro utilizou da expressão "malabarismo financeiro" para referir que o encarregado do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza, repassou ao empresário Ronan a quantia. Sérgio Moro associa a corrupção na prefeitura de Santo André ao caso de homicídio do ex-prefeito Celso Daniel, dizendo que essa relação é possível e torna o caso muito mais grave.

O considerado "malabarismo" aponta para o juiz que o empréstimo passou pelas mãos do pecuarista Bumlai, depois pelo Frigorífico Bertin, e tambémpela Remar Assessoria,quando, enfim, chegou a Ronan Maria Pinto. Foram realizados contratos, um deles com a empresa controlada por Marcos Valério, chamada 2S Produções, para disfarçar o pagamento de propina.

Já, segundo a versão do empresário, o jornalista Bruno Altman teria apresentado a empresa Via Investe para fazer o empréstimo, mas quem acabou fazendo foi aRemar Assessoria.Ronan diz que foi feito um contrato e que o empréstimo de 6 milhões de reais foi dividido em parcelas de 319 mil reais mensais, o que não teria sido, segundo Ronan, para a aquisição do jornal.

O doleiro Erivaldo Quadrado afirma ter guardado uma cópia do contrato com a 2S Produções e aRemar Assessoria,dizendo que isso seria um"seguro de vida contra Lula e o PT".Ronan Maria Pinto nega ter conhecimento do empréstimo de Bumlai e nem que o mesmo seria para finspolíticos.

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