O Brasil, realmente, não é para amadores. Como entender que uma presidente que acusa seu vice de estar tramando um golpe contra ela para se apossar da presidência viaja e deixa em seu lugar a quem ela própria acusa que estar dando um golpe?

Não é fácil explicar. Mas é isso que está acontecendo. A presidente Dilma embarcou na manhã desta quinta-feira (21) para os Estados Unidos, onde participará da assinatura do Acordo de Paris (um pacto que obriga os países a tomar medidas que visem combater mudança do clima), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Durante sua viagem, assumirá a presidência da República justamente o vice-presidente Michel Temer, a quem Dilma acusa de estar dando um golpe de Estado.

Em seu pronunciamento no organismo internacional, Dilma poderá (de maneira elegante, segundo seus assessores) reforçar suas convicções de que o processo de Impeachment é um golpe. Os assessores prepararam um discurso focado no tema do encontro, que é o esforço mundial para maior controle das mudanças climáticas, mas eles dizem que a presidente poderá, a seu critério, fazer menção ao processo de impeachment. É importante notar que enquanto ela estiver discursando, o vice Michel Temer será o presidente em exercício do Brasil.

Críticas e protestos

Ministros do Supremo Tribunal Federal criticaram a disposição da presidente em tocar no assunto em um evento internacional. Comentando o assunto, o decano do STF, ministro Celso de Mello, afirma que a intenção de Dilma é “um grande equívoco”, já que sua visão sobre o processo é eminentemente pessoal e faz parte da sua linha de defesa.

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Enquanto Dilma embarcava para o evento na ONU, cerca de 40 jovens  fizeram um protesto em frente à casa  de Michel Temer, no bairro do Alto de Pinheiros, em São Paulo, contra o processo de impeachment. A líder do grupo, denominado Levante Popular da Juventude, a estudante de direito, Larissa Sampaio, disse que Temer já está agindo como presidente, planejando mudanças nos ministérios e na política econômica.