Em reunião com a alta cúpula da emissora, a TV Globo decidiu que vai transmitir ao vivo, em rede nacional, todo o processo de votação do pedido de Impeachment da Presidente da República Dilma Rousseff (PT). Assim que começar a sessão de votação, prevista para ter início entre sexta-feira, 15 de abril, e domingo, 17, o setor de programação deverá, obrigatoriamente, interromper qualquer programa em exibição no momento para dar espaço ao jornalismo.

Tentando mostrar imparcialidade, a Globo diz querepetea decisão com base no que já aconteceu em 29 de setembro de 1992, quando transmitiu para todo o Brasil a votação do impeachment do então presidente, Fernando Collor de Melo (PTB). Na ocasião,os parlamentares votaram a favor do impeachment de Collor por 441 votos contra 33.

Para muitos especialistas políticos, porém, a decisão da emissora de transformar o momento da votação numa espécie de reality show estilo Big Brother, com milhões de pessoas "dando aquela espiadinha", deve tirar a liberdade dos deputados que votarão contra o impeachment.

Fato é que este será um dia bastante movimentado e importante na Política brasileira e, sem dúvidas, deverá atrair os olhares de quase todo mundo, garantindo alta audiência, o que deve motivar a mesma ação que a Globo tomou por parte das emissoras concorrentes.

Rito do Impeachment

Começou nesta tarde de sexta-feira, 8, as discussões por parte da Comissão do Impeachment da Câmara dos Deputados acerca do relatório de 197 páginas entregue por Jovair Arantes (PTB-GO), contendo a sua visão do pedido de impeachment da presidente Dilma.

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Cada um dos 65 deputados membros do colegiado e 65 suplentes terão direito a 15 minutos de fala.

Somente na segunda-feira, dia 11, é que os debates acerca do relatório devem ser encerrados, e a partir das 17h a comissão deve começar a votar o parecer.

No dia 12, a decisão será lida na comissão plenária seguinte a votação no colegiado. Já no dia seguinte (13), a decisão da comissão deverá ser publicada no Diario Oficial da Câmara.

É a partir daí que começa a contar o prazo de 48 horas para o processo ser levado ao plenário.

Se todos os prazos forem cumpridos, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve levar a votação a plenário na sexta-feira, dia 15 de abril. É esperado que toda a discussão demore cerca de três dias, tendo a votação, portanto, encerramentosomente entre os dias 17 e 18, quando a Globo deverá realizar a transmissão ao vivo.

Lembramos que para o pedido de impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff ser encaminhado para o Senado, é necessário que 342 dos 513 parlamentares sejam a favor da destituição.

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