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Diferentemente dos órgãos de comunicação nacionais, o jornalismo internacional não está tão preso aos interesses políticos que levaram à polarização entre "coxinhas" e "petralhas". Ao analisar os fatos recentes com um distanciamento necessário, jornais do exterior expõem não somente o jogo pelo poder - que não tem nada a ver com Corrupção -, mas também como nossa imprensa nos deixa de contar muita coisa em função de seus próprios interesses.

Em vídeo que se tornou viral pela internet, o jornalista Glenn Gleenwald comenta, para a CNN, o que aconteceu na votação da Câmara pelo Impeachment da presidente:

"(...) a quase totalidade da classe política está tentando impedi-la [Dilma] está envolvida com acusações sérias de corrupção.

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Digo, a coisa mais surreal que já vi em toda minha vida como jornalista em todo o mundo, cobrindo a política em [vários] países, foi que ontem, a pessoa presidindo a votação do impeachment na Câmara, Eduardo Cunha, é alguém acusado de a acumular milhões de dólares com subornos. Não há outra forma de ele ter ganhado esse dinheiro, ele não é rico, não tem negócios. São milhões de dólares guardados em contas na Suíça. Ele é quem está presidindo a Casa, e estavam todos [os deputados] se levantando, um por um, dizendo 'precisamos tirar a presidente por corrupção'. E, de forma impressionante, a própria Dilma é uma das poucas pessoas que não está sendo acusada de corrupção, recebimento de propina, ou algo para que seja impedida". 

O jornal britânico The Guardian caracterizou a noite em que a votação se encerrou de "escura", em que a sombra conservadora certamente pairou sobre os procedimentos, lembrando também dos parlamentares acusados de crimes diversos, como Maluf, que está na lista da Interpol por conspiração.

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O The Economist, por sua vez, destacou os discursos a cada voto, em que pouco ou quase nada se falou das acusações à presidente como razões para ser a favor do impeachment.

O The Atlantic revelou uma ironia na linha sucessória, peemedebista por excelência, com Temer, Cunha e Renan Calheiros, todos os três sob investigação. Até mesmo a tv Al Jazeera menciona o escândalo, comparando-o ao caso Watergate, que levou à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon nos anos 1970 - no programa The Listening Post, da emissora, advertiu-se para como a Operação Lava Jato tem revelado de modo flagrante a posição tendenciosa da grande mídia, monopolizada por nomes da política de direita.