O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), admitiu publicamente para a imprensa, em uma breve entrevista realizada no início da noite de ontem, segunda-feira, 11, em Brasília, que agiu de forma equivocada ao enviar para um grupo de correligionários peemedebistas, o áudio do que seria o seu discurso de posse caso a presidente Dilma Rousseff (PT) seja derrotada na votação do Impeachment no plenário da Câmara dos Deputados e, consequentemente, seja afastada do Palácio do Planalto.

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Em seu pronunciamento, Temer explicou que a ideia da gravação partiu de um amigo do PMDB (que ele achou conveniente não citar o nome), e que, ao invés de enviar a gravação para este referido amigo, acabou enviando para um grupo de filiados da sigla, o que acabou gerando o vazamento para a imprensa.

No entanto, mesmo admitindo a falha, Michel Temer foi contundente em suas palavras ao garantir que não mudará nada do seu discurso, caso, de fato, assuma a cadeira da presidência da República.

Nem bem o áudio da gravação do discurso antecipado de posse do vice-presidente Michel Temer começou a circular na grande mídia e nas redes sociais, e as discussões políticas já se inflamaram novamente, não apenas em Brasília, mas em todo o país. O Governo Federal, inclusive, reagiu imediatamente contrário à postura de Temer. O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, não poupou as palavras e rebateu o vice peemedebista de forma enfática, o chamando de “golpista”.

Em entrevista concedida ontem à noite, 11, ao jornal Folha de São Paulo, Berzoini afirmou que o discurso antecipado de Temer é mais uma “evidência clara” de que há mesmo uma “trama Política para realizar o golpe” contra a presidente da República Dilma Rousseff.

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Em contrapartida, Michel Temer disse que o vazamento do seu áudio não deve interferir em nada na votação do próximo domingo, 17, quando os parlamentares vão decidir no plenário da Câmara o destino de Dilma.

Com relação a grave acusação feita pelo ministro Ricardo Berzoini, que o chamou de “golpista”, o ainda vice-presidente da República preferiu não responder.

“Vazamento do áudio acirra ainda mais a disputa política”, diz historiador político

Para o historiador político João Marcos Dos Santos, especialista em história política brasileira, o vazamento do áudio de Michel Temer, ocorrido nesta segunda-feira, coloca mais uma “pimenta” na disputa política atualmente em voga no Brasil.

“Com certeza se trata de uma grande provocação ao governo. Michel Temer fez o papel dele, o de afirmar que tudo não passou de um equívoco. No entanto, está claro que a queda de Dilma Rousseff já é vista pelo PMDB, e por toda a oposição, como algo certo. Temer traz essa confiança, inclusive, em seu discurso gravado.

Dentro do jogo político, que dá as rédeas nessa evidente disputa de poder; que atualmente está em voga no Brasil, o vazamento do áudio de Temer é mais uma ‘pimenta’ jogada para provocar o outro lado que está em crise, no caso, o governo do PT, e acirra ainda mais a disputa política.”, afirma Dos Santos.