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Com o olhar cerrado, semblante fechado e punhos ao alto, a jurista Janaína Paschoal mirou bem nos olhos do senador Telmário Mota (PDT-RR) e gritou: “Eu não aceito que falem dos meus clientes. Não vou admitir!”. Integrante da base aliada de Dilma Rousseff, o parlamentar havia questionado se ela era advogada do ex-procurador Douglas Kirchner, suspeito de agredir e torturar a própria esposa e afastado do Conselho Nacional do Ministério Público .

A cena ocorreu na sessão da última quinta-feira (28) na Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal, que, naquele dia, recebeu os autores da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, aceita por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, em dezembro do ano passado.

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A reação explosiva de Janaína à pergunta do senador Telmário surpreendeu até o próprio presidente da Comissão, senador Raimundo Lira (PMBD-PB), que foi obrigado a agir.

“Por favor, doutora Janaína, vamos manter um tom de voz que seja compatível com o ambiente que estamos nesse momento”, solicitou.

A defesa ferrenha de Janaína quanto aos seus clientes é uma pequena amostragem do que ela diz querer representar para o Brasil. Patriótica ao extremo, a jurista por inúmeras vezes na sessão ergueu a Constituição Federal e pediu a defesa do “livro sagrado”, “em nome de todos os brasileirinhos”. Na quinta-feira, ela chegou a chorar em determinado momento enquanto pronunciava palavras de amor à pátria e em defesa das leis.

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Doutora em direito penal pela Universidade de São Paulo (USP), Janaína Conceição Paschoal protocolou na Câmara dos Deputados junto aos demais juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff alegando crimes de responsabilidade fiscal, tais como as “pedaladas fiscais” - atraso no pagamento a bancos públicos – e os decretos de suplementação sem apreciação do Congresso Nacional no ano de 2015.

A postura firme, de fala forte e incisiva, acompanhada de um forte gestual, renderam a ela inúmeros elogios de parlamentares favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff. Tanto na Câmara quanto no Senado, a iniciativa da jurista agradou aos políticos contrários ao governo.

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O ex-jogador e agora senador Romário usou da criatividade para elogiar Janaína e comparou ela com um certo antigo camisa 11 da Seleção Brasileira.

“Janaína, você está lembrando bastante um certo ex-jogador que usava a camisa 11 do Brasil. Ele não costumava se intimidar nem com o tamanho dos defensores. Era muito destemido e alcançou bastante sucesso em toda sua carreira”, brincou o Baixinho, fazendo referência a si mesmo. A fala ocorreu na sessão de quinta-feira. Romário, que é favorável ao impeachment de Dilma, elogiou Janaína Paschoal pela “coragem, conhecimento jurídico e determinação”.

Nesta semana que se inicia, os trabalhos na Comissão Especial continuarão. A tendência cronológica dos trabalhos da Casa é que a votação do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) na comissão seja feita no próximo dia 6 de maio. Posteriormente, a expectativa é que a matéria vá ao plenário do Senado Federal no dia 11 ou no dia 12. Será o momento decisivo para Dilma Rousseff, que será afastada do cargo por 180 dias no caso de maioria simples (41 de 81 senadores).