O Partido dos Trabalhadores, e mais especialmente o ex-presidente Lula, ainda não desistiu do mandato da presidente Dilma Rousseff e pretende trabalhar para reverter uma quantidade de votos segura para arquivar o processo de impeachment no Senado Federal. Lula vê de 10 a 12 senadores em potencial que podem mudar seus votos, e arma uma estratégia com a bancada do PT no Senado para agir. A reunião para começar os trabalhos foi feita na manhã desta terça-feira (17), segundo informação do UOL.

O encontro entre Lula e a bancada petista aconteceu em São Paulo, no instituto Lula, e teve como objetivo aparar as arestas para começar o que foi batizada como “operação formiguinha”.

Estiveram presentes na reunião, além do ex-presidente Lula, o ex-líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), e o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PT-PA)

A estratégia acordada é simples e se baseia em duas frentes: tentar ao máximo difundir, tanto dentro do Brasil como pelo mundo, a ideia de que está sendo dado um golpe. Eles imaginam que os votos serão mudados se a pressão popular acontecer, pois sabem que os senadores só se importam com os votos para se elegerem no fim das contas. O segundo ponto é convencer os colegas, um a um, de que não houve crime de responsabilidade. O problema dessa segunda estratégia é que uma boa parte do momento de defesa de Dilma já foi feita por Cardozo e ainda nada adiantou.

Como é um processo longo e demorado, por isso foi batizada de “formiguinha”, a ideia dos senadores petistas é prolongar ao máximo os 180 dias, para assim terem mais tempo de angariar os votos.

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Eles acreditam também que tudo vai depender do andamento do governo Temer e suas medidas.

O ex-presidente Lula elegeu os senadores que ele vai se empenhar pessoalmente para mudar os votos: Cristovam Buarque (PPS-DF), Omar Aziz (PSD-AM), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Acir Gurgacz (PDT-RO). Os dois últimos, por exemplo, estiveram com Lula antes da votação no Senado.

Apesar da estratégia, o PT sabe que as chances são muito pequenas de uma reversão no quadro de votação, mas pretendem manter uma pressão no governo interino de Temer esperando um deslize.