A resolução do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), aprovada nesta terça-feira, dia 17, foi motivo de bastante irritação nos meios militares brasileiros. Isto porque ao fazer uma análise dos 13 anos que o partido esteve no poder, numa espécie de autocrítica, foi citado o fato de que não houve uma intervenção direta dentro dos meios militares Os itens aprovados no documento foram alvo de uma reação vigorosa por parte das Forças Armadas, que acusaram o partido de tentar interferir numa instituição que, até o presente momento, tentou manter-se numa posição não intervencionista, mesmo diante da grave crise que o país enfrenta.

O PT tenta assumir uma espécie de 'mea culpa' e se arrepende de não ter intervido no aparelhamento do governo

No documento, o partido se ressente e acaba por ceder a uma espécie de 'culpa própria', por não ter interferido no que eles denominam de uma manipulação conservadora dentro de instituições como a Polícia Federal (PF) e no Ministério Público (MP).

As providências que o partido declarou em sua resolução dizem respeito à modificação dos currículos de ensino das escolas militares e a promoção de oficiais que assumissem uma postura nacionalista e mais democrática.

Além disto, os dirigentes petistas defendem o fortalecimento de membros do Itamaraty que fazem parte de uma ala mais progressista. Em outro ponto, eles são bastante claros quanto ao direcionamento de verbas públicas para a obtenção e manutenção do monopólio da informação pelo estado.

O Exército reage e acusa o partido de querer copiar o mesmo sistema de governo venezuelano

Diante da declarações petistas, as Forças Armadas reagiram de maneira irritada quanto ao teor do documento.

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Governo PT

O Comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas acusou o partido de ajudar a propagar um sentimento de rejeição antipetista nos meios militares. O militar declarou que as resoluções mostram um caráter altamente 'bolivariano', que foi adotado nos anos 60 e 70 e posto em prática atualmente em países como a Venezuela, tanto por Hugo Chávez quanto por seu sucessor, Nicolas Maduro. Este mesmo sistema está sendo adotado por outros países como o Equador e pela própria Bolívia.

Ainda segundo o comandante, tanto o Exército, quanto a Marinha e a Aeronáutica sempre pautaram as suas atividades de acordo com os seus objetivos, de caráter institucional e em conformidade com a constituição brasileira e nunca interferiram no cenário político atual, mesmo assolado por tamanha crise. O militar deixou claro que espera o mesmo tipo de comportamento.

O posicionamento defendido por Villa Boas é o mesmo compartilhado por todos os oficiais de alta patente das Forças Armadas que, após a divulgação do posicionamento do PT, mostraram-se indignados com tal postura política.

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