Após a tentativa de anular o processo de impeachment na Câmara dos Deputados por parte do presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), que solicitou ao Senado Federal a devolução do processo para que este recomeçasse no Congresso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB de Alagoas), decidiu ignorar o pedido de Maranhão e manteve a votação do Impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT) para esta quarta-feira, 11 de maio.

Em pronunciamento realizado no plenário do Senado na tarde de ontem, 09 de maio, Calheiros criticou duramente a ação do deputado Waldir Maranhão e acusou o atual presidente da Câmara (interino) de tentar “bagunçar com a democracia e a Constituição Federal Brasileira”. Após afirmar que não iria acatar o pedido de Maranhão e que iria manter a votação do impeachment de Dilma Rousseff para esta quarta, Renan Calheiros recebeu calorosos aplausos dos senadores presentes no plenário que defendem o afastamento da presidente da República.

Em contrapartida, Calheiros teve que segurar os ânimos dos senadores da base governista, que se inflamaram contra o mesmo, que teve, inclusive, que interromper a sessão na Casa, por diversas vezes, devido ao tom de voz muito alto dos parlamentares indignados com a decisão do peemedebista de não devolver o processo de impeachment para a Câmara dos Deputados, como solicitou Waldir Maranhão.

A programação do impeachment no Senado

Renan Calheiros já definiu como ocorrerá, durante toda esta quarta-feira, a sessão para a votação do impeachment de Dilma por parte dos senadores.

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O pronunciamento dos senadores deve ser iniciado às 9 horas da manhã e deve seguir até o meio-dia (12h), quando está previsto o primeiro intervalo, que tem previsão para durar por uma hora.

Às 13 horas, a sessão será reiniciada com novos pronunciamentos e deve seguir até às 18 horas, quando está previsto para acontecer o segundo intervalo do dia, que também deve durar por uma hora. Somente a partir das 19 horas, é que está previsto para a votação ser iniciada.

Segundo o presidente da Casa Renan Calheiros, o objetivo é concluir toda a sessão ainda nesta quarta-feira, sem deixar que nada fique pendente para o dia seguinte, a quinta-feira, 12 de maio.

Caso o objetivo de Calheiros seja mesmo alcançando, a tendência é que a presidente da República seja afastada, então, no fim de noite desta quarta, já que, segundo a maior parte das pesquisas feitas pelos veículos de comunicação no país, a oposição já teria conseguido a quantidade suficiente de votos para afastá-la (é preciso a maioria mínima de votos, 41 dos 81 senadores).

“Governo falhou mais uma vez, e Dilma deve cair na quarta”, diz especialista

Para o historiador político João Marcos Dos Santos, a tentativa do Governo de barrar a votação desta quarta no Senado falhou, o que deve culminar com o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

“O pedido de Maranhão era a última tentativa de barrar o impeachment, mas o Governo falhou mais uma vez, e Dilma deve mesmo cair na quarta.

Digo ‘cair’ porque não acredito que ela retorne depois do afastamento de 180 dias. A oposição conseguiu se articular de forma avassaladora para o PT. Está tudo muito bem montado e arquitetado. Dilma e Lula perderam aliados fortes, e isso é devastador para quem quer se manter no poder. A queda é questão de horas. Se isso vai ser bom para o país, a história dirá.”, afirma Dos Santos.

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