Em entrevista nesta terça-feira, dia 28, à rádio "Metrópole", da Bahia, a presidente afastada Dilma Rousseff fez pesadas críticas ao presidente interino Michel Temer e ao seu atual Governo. Ela reconheceu publicamente que seu maior erro foi ter feito uma aliança com o partido do seu ex-vice, o PMDB. Além disto, ao dirigir-se ao mesmo, ela o classificou como um traidor e o acusou de usar de atitudes usurpadoras para chegar ao poder.

Reconhecendo que errou ao se unir ao PMDB

Dilma Rousseff foi bastante enfática ao afirmar que, na sua última eleição, acabou enveredando por um erro que, hoje, ela considera bastante óbvio, que foi compor uma chapa com o PMDB. A presidente afastada fez referência direta a Michel Temer, quando classificou como um grande equívoco, que lhe custou o cargo, o fato de colocar na presidência uma pessoa que é afeita a tomar atitudes de traição, além de ser bastante usurpadora.

Ela afirmou que o mesmo sempre agiu em função não de si mesmo, mas para satisfazer os interesses de seu partido. A petista ainda citou o nome do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como um dos principais representantes deste grupo político.

Perguntada sobre a possibilidade de retornar ao cargo,Dilma confirmou a sua crença em tal possibilidade, desde que houvesse uma mudança relevante no sistema político brasileiro.

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Governo Michel Temer

Isto seria fundamental para que ela pudesse conseguir governar com o apoio do Congresso Nacional. Ela defendeu que o restabelecimento de seu cargo seria a única possibilidade de garantia da volta do sistema democrático ao país. Mais uma vez, ela voltou a criticar Temer e Eduardo Cunha como os responsáveis pelo 'apodrecimento' da Política brasileira atual, visto que, o atual interino só consegue tomar decisões após consultar seu colega de partido.

Com relação ao atual governo, ela declarou que, nestes primeiros 45 dias, o governo de Temer conseguiu abolir direitos fundamentais da população brasileira. Neste sentido, ela criticou a tentativa de uma reforma na previdência, que tenta elevar a idade mínima de aposentadoria para 70 anos, além de retirada do Pronatec. Como militante da igualdade racial, a mesma criticou o fato do governo provisório ter preterido mulheres e negros em seu quadro ministerial.

Ao ser questionada sobre a questão das pedaladas, Dilma afirmou que a própria perícia do Senado foi favorável aela, inocentando-a de tais acusações. Com relação aos decretos assinados, ela afirmou que não havia sido advertida previamente quanto à incompatibilidade com as metas fiscais.

Durante a entrevista, Dilma chegou a comparar o seu atual processo de afastamento com o episódio que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

Segundo a mesma, em ambos, houve uma conjugação de interesses entre setores, como grupos de empresários, pequenos grupos políticos e alguns elementos da imprensa nacional. Ela afirmou que, apesar da tentativa de grupos familiares que dominam a mídia nacional evitarem chamar o acontecimento de 'golpe', a imprensa internacional ficou do seu lado ao divulgar tal denominação.

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