Após ser denunciado pelo ex-deputado federal Pedro Correa, Aécio Neves está prestes a sofrer mais um golpe duro na sua carreira. Em reportagem a ser publicada na edição de domingo, a Folha de São Paulo revela que José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-gestor e sócio da OAS confirmará, baseado em documentos, que pagou suborno a funcionários do atual presidente nacional do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) quando este governava o estado de Minas Gerais. Na ocasião, a meta era facilitar a vitória da empreiteira no projeto da Cidade Administrativa.

A obra foi a mais cara do tucano durante o seu período à frente do estado das Alterosas (2003-2010).

O local seria erguido para abrigar 20 mil funcionários públicos.

Segundo Pinheiro, a OAS, dos R$ 102,1 milhões recebidos, desembolsou 3% (cerca de R$ 3 milhões) sobre o valor da construção a Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, apontado, tanto por próprios peessedebistas quanto por opositores, como o tesoureiro informal nas seguidas campanhas de Aécio, entre 2002 e 2014.

A Cidade Administrativa foi erguida a base de um consórcio formado por OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão. Nessa associação, a Odebrecht era dona de maior parte do contrato assinado (60%), enquanto a OAS respondia por 25,71% e a Queiroz Galvão, 14,25%.

A princípio, o complexo foi orçado em R$ 500 milhões, mas, contando com mobiliários e outros ítens, acabou custando R$ 2,1 bilhões aos cofres do governo mineiro. Inaugurada em 2010, a Cidade Administrativa é repleta de superlativos, conforme anunciado pela propaganda daquela época.

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Existiam quatro inquéritos para apurar possíveis irregularidades na obra. Um deles apura se houve conluio nas empreiteiras que realizaram a construção. O Ministério Público não soube dizer se algum deles havia sido arquivado.

O relato de Léo Pinheiro faz arte do acordo de delação premiada que está sendo negociado com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba e Brasília. Em nota à Folha, Aécio Neves desconhece os relatos do ex-presidente da OAS. Segundo o tucano, essas declarações são "falsas e absurdas".