Ao que parece, Michel Temer terá de enfrentar ainda muitas turbulências durante a sua gestão como presidente empossado. Além dos graves problemas que ameaçam a economia do Brasil, como o descontrole da inflação, o alto índice de desemprego, a desconfiança dos investidores externos e a queda do superávit primário, há também lutas acirradas nos bastidores da Política em Brasília – e vence quem tiver maior poder de fogo.

Tudo começa com o racha entre os partidos da base governista (PSD e PSDB), que resolveram acionar o Supremo Tribunal Federal – STF, contra a decisão do Senado de dar uma segunda chance a Dilma Roussef, votando pelos direitos políticos da ex-presidente.

Isso fere frontalmente o parágrafo único do artigo 52 da Constituição Federal, que concede poderes à Suprema Corte de condenar o presidente da República com 2/3 dos votos com a perda do mandato e dos direitos políticos.

Com essa decisão de fatiar a votação, o Senado estará abrindo precedentes e beneficiando o próprio deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teria uma carta na manga para escapar da cassação e se candidatar nas próximas eleições sem qualquer intervenção da justiça.

Pelo visto, Cunha (PMDB-RJ) está queimando os últimos cartuchos de munição na tentativa de se sustentar no poder.

Sendo o parlamentar muito amigo do atual presidente, agora se considera desprestigiado e como carta fora do baralho, ao ser deixado de lado pela bancada do seu partido.

Outra agravante. A Dilma, que ainda não engoliu a derrota no Senado, está entrando com recurso junto ao STF para tornar ilegítima a votação pelo Impeachment. Só para lembrar, a ex-presidente foi guerrilheira, enfrentando lutas armadas contra a ditadura. Portanto, não faz o tipo frágil que desiste facilmente dos objetivos.

Além disso, o país está mergulhado num caos e numa anarquia sem precedentes na história política do Brasil, com milhares de pessoas sendo arrastadas às ruas, protestando contra a corrupção do Governo e pedindo novas eleições para presidente.

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