A orientação para que a Polícia Militar de São Paulo aja com rigor contra os manifestantes que pedem novas eleições e a saída de Michel Temer da presidência da república partiu do ministro da justiça, Alexandre de Moraes. A informação foi revelada nesta terça-feira, 6, pelo jornal Folha de São Paulo. De acordo com o veículo, o ministro possui relação bastante íntima com o secretário de segurança pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, e usa esta proximidade para causar um aumento na tensão entre policiais e manifestantes. A Folha obteve a informação com um secretário do governo paulista, mas não revelou seu nome. A influência negativa do ministro sobre os rumos da secretaria de segurança é tanta que já causa um mal-estar no gabinete de Geraldo Alckmin.

Aliados do governador acreditam que as ações de Alexandre nos bastidores estão prejudicando a imagem de Geraldo Alckimin e diminuindo sua popularidade.

Passado problemático

O ministro da justiça foi secretário de segurança pública de São Paulo entre os anos de 2014 e 2016. Sua passagem à frente da pasta foi marcada por controvérsias e denúncias de abuso policial. Foi em sua gestão que a polícia paulista utilizou pela primeira vez blindados israelenses para dissipar protestos. Um dos casos mais criticados foi o da ocupação das escolas por movimentos estudantis. As manifestações de rua dos estudantes foram reprimidas com força excessiva da polícia, de acordo com alguns críticos, assim como a desocupação de algumas escolas. Além disso, no ano de 2015 cerca de 25% de todos os assassinatos cometidos em São Paulo foram feitos por policiais militares, de acordo com a TV Globo. 

Repressão ao movimento "Fora Temer"

A revelação de que a ordem para atacar os manifestantes partiu de um ministro de Michel Temer acontece poucos dias depois do maior protesto "Fora Temer" ser realizado em São Paulo.

Os melhores vídeos do dia

A manifestação do último domingo, 4, reuniu cerca de 100 mil pessoas na avenida Paulista. O protesto era pacífico até chegar ao seu final, quando alguns baderneiros começaram a quebrar lixeiras e espalhar e queimar o lixo pelas ruas do centro da capital paulista. A PM utilizou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar tanto os baderneiros quanto as pessoas que participaram da manifestação e estavam apenas voltando para casa. Além disso, 21 estudantes que estavam na concentração do ato foram presos antes mesmo da manifestação começar e sem terem cometido nenhum crime, de acordo com os organizadores do protesto. Confira vídeo da ação policial:

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