Para se falar de um possível Impeachment de Michel Temer é preciso, antes de mais nada, entender o que ocorreu com sua antecessora, Dilma Rousseff. A ex-presidente petista foi retirada do cargo para qual foi eleita após ser condenada pelo Senado por, supostas, manobras orçamentárias, as quais foram consideradas crime de responsabilidade. O clima também não era dos melhores. Imerso numa grave crise econômica, o País vivia em ebulição por causa de seguidos protestos pressionando pedindo o impeachment de Dilma que levavam milhares de pessoas as ruas.

Somado a isso, a Operação Lava Jato cada vez mais se aproximava do governo da ex-presidente.

O cenário para Michel Temer não é muito diferente. A crise econômica não diminuiu, a Operação Lava Jato bate as portas do seu governo e leva para dentro do Planalto grande insegurança e as manifestações estão começando a esquentar, levando a pauta do impeachment ainda de forma morna, mas que tem tudo para esquentar se as coisas continuarem como estão.

Para piorar sua situação, as propostas que tramitam na Câmara e no Senado de autoria do Executivo causam revolta perante a população (a PEC do teto de gastos, por exemplo). Por fim, o polêmico caso envolvendo os ex-ministros Geddel e Calero, que mostrou a fragilidade do governo.

Vendo assim, parece até que a situação de Temer é pior do que a de Dilma, porém, um ingrediente a mais precisa ser acrescido a essa mistura: a motivação política

Os trunfos de Temer

Existe um ponto chave no cenário político que culminou com o impeachment da ex-presidente Dilma e é favorável a Michel Temer: o presidente da Câmara dos Deputados.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Lula Michel Temer

Eduardo Cunha x Rodrigo Maia: enquanto Dilma se via com um inimigo político como o único homem com poder de acatar um pedido de impeachment como presidente da Câmara e uma bomba relógio prestes a explodir de vingança, Michel Temer tem uma excelente relação com Maia e o vê como um aliado político. O deputado do DEM já declarou não ver indícios para acatar um pedido de impeachment de Temer.

Base aliada: outra diferença é a fidelidade da base aliada, tanto na Câmara quanto no Senado.

Enquanto Dilma não tinha uma boa relação com os parlamentares, sendo de trato difícil, Temer é conhecido como um ótimo articulador político, desde os tempos que atuou como presidente da Câmara. Para se ter uma ideia, são necessários 342 votos para aprovar o impeachment no plenário da Câmara, a oposição a Temer (PT, PCdoB e PSOL) possui apenas 75 parlamentares.

Pedido protocolado

O PSOL já protocolou nessa semana o primeiro pedido de impeachment contra Michel Temer.

Assinado pelo presidente nacional do partido, Luiz Araújo, a peça foi entregue à Secretaria Geral da Câmara e contou com as presenças dos deputados federais Glauber Braga, Ivan Valente, Luiza Erundina e Jean Wyllys. A candidata em 2014 à presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, também esteve presente na cerimônia de entrega. O PSOL baseou sua denúncia em cima do caso envolvendo Geddel Vieira e a suposta pressão de Temer contra Calero.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo